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  • Lendo com a Dani: Ponto Sem Retorno, Gabriela Simões

    Giselle Levy é meio-bruxa e vive isolada do mundo com o seu avô, escondida do olhar do rei. É cuidadosa e astuta, contudo, numa tentativa de sobreviver, foi apanhada e chantageada por um dos príncipes de Kendrad, Cristian, que promete não a entregar, se ela for trabalhar para o palácio. Num dilema, ela coloca em perigo a sua identidade e passa a trabalhar no palácio, onde terá de lidar com as constantes tentativas de sedução do príncipe Cristian, os misteriosos olhares de príncipe Eli, os encontros escondidos com o seu melhor e único amigo, Rylan, e um rei desumano com segredos obscuros. Giselle vive numa constante incerteza e angústia de ser descoberta, amargurada pelo facto de não poder ser livre, encontra uma misteriosa sala, com um poderoso encantamento que poderá mudar tudo. Assertiva, inteligente e defensiva, irá deparar-se com uma escolha que mudará para sempre a sua vida e a ideia que tem si própria.
    Ponto Sem Retorno
    Gabriela Simões
    Saga Giselle #1
    Edições Vieira da Silva (2017)
    Idioma: Português de Portugal
    238 páginas


    Sabe quando você lê uma sinopse e pensa: caramba, esse livro deve ser bom!

    Daí você fica com um pé atrás, pensando que talvez esteja deixando as expectativas muito altas e, consequentemente, aumentando as chances de quebrar a cara e se decepcionar?!

    Ponto Sem Retorno fez isto comigo. Sinopse me deixou nas nuvens, daí veio o medo de estar avaliando errado, mas no fim das contas... Ah, que alívio! Eu adorei a leitura e estou a pensar nele e nos personagens desde então.

    Giselle Levy é uma jovem de dezessete anos que vive reclusa com seu avô, numa terra que não pertence ao reino de Kendrad. Tudo isso por ser meio-bruxa, e o rei de Kendrad exterminou todos os seres mágicos.

    Todos em Kendrad pensam que a magia desapareceu e assim deve permanecer. Se desconfiassem da minha existência, fariam de tudo para acabarem comigo.

    Giselle tem um temperamento explosivo, ela é bem esquentadinha e viver tão isolada e com tanta liberdade acaba por torná-la uma língua ferina. Sim, até mesmo com quem lhe é próximo a moça consegue tratar sem muito tato.

    Gostei bastante da maneira da autora inserir os pensamentos dela, por vezes me fizeram rir. É o tipo de diálogo interno que eu costumo ter comigo mesmo. E tornou a mocinha mais real.

    «Nunca roubastes joias do reino.» Nunca tive oportunidade para tal. 

    A protagonista tem um fiel amigo, Rylan Poskitt, que tem uma irmã e cuida da mãe, mas sempre dá um jeito de estar por perto da garota, lhe incentivando, ele é o único que sabe do segredo dela.

    Rylan não se importa com a minha brusquidão, ele é o meu melhor amigo, a pessoa mais importante para mim, para além do avô.

    Num momento de pouco raciocínio e teimosia (isso que dá não ouvir a sabedoria dos mais velhos), Giselle vai para Kendrad em plena Parada dos Príncipes, e não obstante tenta roubar as joias reais.

    E nesse momento surge o príncipe Cristian e, gente.... ele me pareceu bastante com o Chuck, de Gossip Girl. Ciente de sua beleza, de seu status, joga seu charme sem preocupação, mas dá aquela sensação de seriedade quando assim deseja.

    — A minha admiração provém simplesmente de ser, sem qualquer dúvida, uma mulher bela, sem qualquer necessidade de roubar. De certeza que, se pedisse ajuda, qualquer homem do centro a ajudaria. Caso não o fizessem, poderia recorrer a mim, teria todo o gosto em a socorrer.
    — Pode parar imediatamente com esse jogo de sedução. Não sou uma das suas admiradoras do centro. Esse seu charme principesco, que de charmoso tem tanto como o meu dedo mindinho do pé, é escusado. Por acaso, pareço alguém que precisa dum homem ou de quem quer que seja para me desenrascar? Caso não se tenha apercebido, derrubei todos os guardas do seu reino sozinha. Devia preocupar-se em reforçar a segurança, em vez de arranjar mais uma conquista para a sua coleção — tento controlar-me para não gritar, mas falho redondamente.

    Assim como Giselle, fiquei um pouco desconfiada de seus sentimentos, surgem tão rápido e num simples olhar que pensei: tem algo de podre no reino de Kendrad!

    Mas se a mocinha e eu estávamos certas em nossa primeira avaliação, você só saberá se ler.

    O que posso garantir quanto a estes dois é que os diálogos entre eles são para lá de engraçados, pois mesmo quando ela lhe alfineta, ele é capaz de achar graça e até reverter seus comentários.

    O livro é dividido em duas partes: O despertar e Porta Aberta.

    Eu me vi bastante curiosa para avançar na leitura, queria saber no que daria o castigo de Cristian para ela, cobrar que pague seu crime trabalhando no castelo bem debaixo do nariz do rei.

    E, no fim das contas, queria ver um pouco mais do príncipe Eli, o irmão de Cristian, tão arrogante quanto, mas bastante cuidadoso com o que fala.

    — Onde estão os guardas? Não será perigoso um príncipe andar por aí sem os guardas para o protegerem do perigo alheio?
    Eli ri-se e baixa a cabeça.
    — Dir-me-ás que sou uma donzela indefesa, necessitada duma proteção imensa— pergunta, ao mesmo tempo que ergue uma sobrancelha.
    — Algo próximo disso.

    A autora nos introduz fatos da infância de Giselle, o que houve com sua mãe, e quando o momento certo chega, vamos desvendar muito além.

    Afinal, nem em sonhos conseguiria imaginar tudo o que foi revelado nos capítulos finais.

    O final do livro deixa um gancho para o próximo e estou desesperada para saber o que está reservado para Giselle, Rylan, o avô e os príncipes.

    Simpatizei com todos os personagens, especialmente quando as particularidades de cada um são expostas com mais clareza e nos permite avaliar bem, entender suas ações.

    Num primeiro momento, pode ser que você ache Giselle um tanto irritante, mas dê uma chance para que as coisas fiquem às claras e, quem sabe, não mudes de ideia?

    — À primeira vista, és arrogante, independente, melindrosa quando atingem o teu amor-próprio. Por vezes um pouco rude e agressiva…

    Embora eu não seja expert em Português de Portugal, não achei grandes erros, apenas um, que notei por conta da palavra ter aparecido mais à frente e escrita de outra forma. Piões ao invés de Peões. Mas como podem ver, nada que atrapalhe a leitura e compreensão.

    E eu estou aqui torcendo pelo Príncipe Cristian, descaradamente. 
    — Cristian, eu…
    — Fica comigo, Giselle — pede, e eu, sentindo os seus lábios muito próximos dos meus, não consigo deixar de pensar: «Não podes fazer isto».

    Gabriela Simões criou uma trama fantástica para lá de intrigante. Sua narrativa nos provê as peças necessárias para compreender os eventos ocorridos, e ainda nos reserva uma reviravolta capaz de causar uma certa taquicardia e uma enorme ansiedade sobre o que virá no próximo volume. 

    Ponto Sem Retorno traz uma protagonista que não tem papas na língua, tem um humor excêntrico e um tanto ácido; mas com um coração gentil e responsável. Dois príncipes que nos deixam com a pulga atrás da orelha. Um avô que sabe lidar bem com a jovem que está sob sua guarda e que mantém um enorme segredo. Um melhor amigo que vai ganhar nosso coração e uma égua para lá de corajosa. E um romance que vai surgindo aos poucos, apesar da atração de imediato que o príncipe demonstra. Você vai gostar de acompanhar as discussões deles, e a mudança nos sentimentos de Giselle.



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