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  • 2.990 graus, Adilson Xavier


    O jovem delegado Hermano está longe de ser um policial típico. Filosofa sobre a verdade, gosta de poesia.
    Inexperiente e orgulhoso por jamais ter usado sua arma, ele recebe a missão de investigar o assassinato de um deputado federal acusado de desviar verbas destinadas às vítimas de uma grande inundação.
    A arma do crime foi um maçarico, usado com impressionantes requintes de crueldade. Outros políticos são
    mortos com o mesmo ritual torturante.
    Um pastor evangélico, ex-presidiário, surge como suspeito. A população batiza os assassinos como “Vingadores do Povo”. Pressão total. Ódio e desinformação esquentam os ânimos. A vida de Hermano se transforma num inferno.
    2.990 Graus
    A arte de queimar no inferno
    Adilson Xavier
    Ano: 2017 
    Páginas: 320
    Idioma: português 
    Editora: Panda Books

    Olá, amigos leitores! Tudo bem com vocês? Como foram de festas?

    Depois de um dezembro corrido e sem muitas leituras, eis que começo 2018 com o pé quente, trazendo uma resenha de um gênero que adoro (e vocês já sabem disso), que é o romance policial.  O cenário literário nacional tem me surpreendido bastante, com muitos autores novos e que trazem narrativas de qualidade, como é o caso do Adilson Xavier.

    O mote de 2990 graus é um cenário muito atual: a política. Corrupção e Morte se entrelaçam e temos um assassino bem cruel e frio, que comete uma série de crimes brutais com requintes de crueldade contra os políticos corruptos. E esta investigação vai virar a vida do protagonista de cabeça para baixo, transformando-a num verdadeiro inferno!

    Hermano é um homem que podemos considerar como tranquilo. Bem diferente da maioria dos policiais que estamos habituados a ver tanto na vida real como na ficção, ele se orgulha de nunca ter precisado ter usado a sai arma, a qual apelidou carinhosamente de Maninho. Hermano gosta muito de Filosofia e arrisca a escrever alguns poemas, o que lhe rendeu o apelido de Poeta.

    Apesar de tranquilo, sua vida sentimental – assim como a da maioria dos homens – não é nada tranquila. Hermano tem um relacionamento estável com Alice e tem casos fortuitos com a bela e espevitada, Jackie, sua colega de trabalho. Quando o assassinato surge em sua realidade, ele sabe que sua carreira pode mudar a depender dos resultados de seu trabalho, afinal há muita coisa em jogo. A população pressiona de todos os lados, a mídia, os seus superiores...É então que usa toda a sua astúcia e se entrega de corpo e alma nesta investigação onde nada parece realmente ser verdade. E a cada camada de narrativa somos surpreendidos com as diferentes facetas do ser humano.

    Adilson possui uma escrita envolvente, fluida e a sua trama é bem amarrada, com personagens construídos de forma cuidadosa, o que confere veracidade à sua obra. Somos apresentados a uma dualidade do ser humano, com erros e acertos, defeitos e qualidades. Não há heróis, nem heroínas.

    O que tempera os personagens é a sua capacidade de viver, de sobreviver, de aprender e se surpreender. O cotidiano é o pano de fundo, com cenários do Rio de Janeiro e Petrópolis que compõem o quadro desta narrativa.

    O design do livro integra a obra com propriedade, com destaque para a capa que traz elementos importantes da narrativa.  As páginas amareladas, a diagramação e os recursos gráficos que aparecem nos títulos de cada parte do livro completam-no de forma positiva e que agrada aos olhos. A revisão é caprichada, com uma escrita elegante e ao mesmo tempo limpa, sem preciosismos que deixem a leitura chata.

    A única coisa que me incomodou mesmo foi o papel da mulher nesta trama, pois o protagonista machista e mulherengo ainda é um estereótipo que incomoda. Esta dicotomia entre a mulher que é a filial e certinha e a matriz mais ousada e caliente foi algo que poderia ser muito bem dispensado ao livro e só traria mais qualidade e empatia ao personagem.  Ressalto, contudo, que esta é uma opinião bem pessoal e minha, o que não altera a importância e qualidade da obra em relação ao que se propõe.

    Para os amantes do romance policial e da literatura brasileira, 2990 graus é uma narrativa fluida, envolvente e que te instiga, abordando temas atuais e que propõem uma reflexão soabre a realidade que nos cerca. Recomendo! 


    10 comentários :

    1. Penso que nossa literatura tem nos surpreendido a cada dia que passa e ainda tem gente que torce o nariz para a literatura nacional :/
      Eu amo estas surpresas e ainda mais quando trazem assuntos tão atuais e instigantes.
      Matar políticos? Oh..isso dá muita ideia..rsrs
      E se isso tudo de assassinatos ainda vier com histórias por trás do detetive?
      Melhor ainda.
      Quero muito ter a oportunidade de ler a obra!
      Beijo

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      1. Você vai amar essa trama, flor! E aproveita e participa da promoção! beijos!

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    2. Ilmara!
      Gosto demais de romances policiais e fico feliz em ver que mais um autor nacional vem se destacando no estilo.
      Que triste ver que a mulher foi uma v ez mais subjugada no livro, trazendo um protagonista machista e mulherengo.
      Bom final de semana e Novo Ano repleto de realizações!!
      “Que a paz, a saúde e o amor estejam presentes em todos os dias deste novo ano que se inicia. Feliz Ano Novo!” (Desconhecido)
      cheirinhos
      Rudy
      1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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      1. Sim, Rudy! Essa foi a minha única ressalva ao livro, pois acho que a Literatura tbm precisa ser possibilidade de transformação, não é? Beijos!

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    3. Gosto de livros do gênero romance policial, eu não conhecia este autor Adilson Xavier, gosto de conhecer novos autores e livros de autores nacionais, que bom que o autor tem uma escrita envolvente, fluida e que a sua trama é bem amarrada, com personagens construídos de forma cuidadosa, mas sem dúvidas o papel da mulher nesta trama também me incomodaria, mas pela sua resenha este livro parece ser bom, então pretendo ler 2.990 graus.

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      1. Sim, Maria...esse é um detalhe que não compromete a obra de forma geral. Foi apenas uma coisa que me incomodou por mulher, feminista e uma leitora crítica. Mas o livro é um romance muito bom e vale ressaltar que essa é uma opinião pessoal, então outra pessoa pode ler e não achar isso que achei.

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    4. Me lembrou muito o antigo livro da série vaga-lume "O Escaravelho do Diabo". Quem não adora um bom romance policial? Quanto mais estranho e hediondo o crime (na ficção!) melhor a história, este me parece dos bons!

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    5. Romances policiais é um dos temas que mais gosto e quando ele é bem escrito fica melhor ainda. Não conhecia esse livro mas adoraria te-lo para ler. Quanto a resenha, gostei, pois me deu uma breve noção do que esperar do livro.

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    6. Olá! A cada dia que passa fico mais feliz por vê tantos talentos brasileiros se destacando. Gosto de romances policias, de quebrar a cabeça tentando desvendar o mistério. Uma pena o papel da mulher no enredo, essa situação me fez pensar muito em dar ou não uma chance a leitura.

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    7. Sou apaixonada por romances policiais, principalmente quando são bem descritos, desenvolvidos, e amarrados, como esta história, o que me deixou ainda mais entusiasmada. Uma pena mesmo foi o papel da mulher ter sido bastante dicotomizado, em relação a relacionamentos abusivos. Já que o personagem masculino, possuiu uma personalidade machista, fazendo com que não sentimos tanta empatia pelos personagens. Entretanto ainda sim pretendo dar uma chance a esta leitura.

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