• Home
  • Sobre o Blog
  • Colaboradores
  • Contato
  • A Irmã da Pérola, Lucinda Riley - As Sete Irmãs #4

    Imagem da Praia de Broome, Austrália. Direitos ao site: Broome Future
    Em A Irmã da pérola, quarto volume da série As Sete Irmãs, duas jovens de séculos diferentes têm seus destinos cruzados numa emocionante história sobre amor, arte e superação.
    Ceci D’Aplièse sempre se sentiu um peixe fora d’água. Após a morte do pai adotivo e o distanciamento de sua adorada irmã Estrela, ela de repente se percebe mais sozinha do que nunca. Depois de abandonar a faculdade, decide deixar sua vida sem sentido em Londres e desvendar o mistério por trás de suas origens. As únicas pistas que tem são uma fotografia em preto e branco e o nome de uma das primeiras exploradoras da Austrália, que viveu no país mais de um século antes.
    A caminho de Sydney, Ceci faz uma parada no único local em que já se sentiu verdadeiramente em paz consigo mesma: as deslumbrantes praias de Krabi, na Tailândia. Lá, em meio aos mochileiros e aos festejos de fim de ano, conhece o misterioso Ace, um homem tão solitário quanto ela e o primeiro de muitos novos amigos que irão ajudá-la em sua jornada.
    Ao chegar às escaldantes planícies australianas, algo dentro de Ceci responde à energia do local. À medida que chega mais perto de descobrir a verdade sobre seus antepassados, ela começa a perceber que afinal talvez seja possível encontrar nesse continente desconhecido aquilo que sempre procurou sem sucesso: a sensação de pertencer a algum lugar.
    Filha de um pastor em Edimburgo, no início do século XX, Kitty McBride é presenteada com a chance de deixar seu ambiente opressivo e ir para a Austrália como dama de companhia da Sra. McCrombie. Em Adelaide, seu destino se entrelaça com o da família da velha aristocrata, incluindo seus dois jovens sobrinhos: o impetuoso Drummond e o ambicioso Andrew, gêmeos idênticos, porém em tudo diferentes, além de herdeiros de um próspero comércio de pérolas.
    Seu bilhete para uma nova terra oferece todas as oportunidades de aventura com que ela sempre sonhou e um amor que ela jamais poderia imaginar...
    Cem anos depois, Ceci D’Aplièse decide seguir o exemplo das irmãs e ir atrás de sua família biológica. Seguindo as coordenadas deixadas pelo pai adotivo antes de morrer, ela parte rumo à Austrália, e se vê refazendo os intrincados passos de Kitty à medida que procura descobrir a própria história – uma narrativa improvável que envolve uma pérola amaldiçoada e um mergulho mágico na arte aborígine.
    A Irmã da Pérola (The Pearl Sister)
    Lucinda Riley
    As Sete Irmãs #4
    Editora Arqueiro (2017)
    528 páginas
                                       
    Celeno D’Aplièse é uma estudante de arte, em Londres. Mas, no momento, ela não acredita que está no lugar certo, já que os professores não compreendem suas criações. Dona de uma baixa estima e uma tendência ao negativismo e a autopiedade, Ceci me deixou sem muita vontade de seguir a leitura, porém é um livro da Lucinda e não se larga com facilidade.

    Agora, sem necessidade de ser a voz de Estrela, e tendo de viver só no apartamento que comprou para ambas, Ceci decide viajar para a Tailândia, lugar no qual passou bons tempos com a irmã. E, de lá, ir até a Austrália, lugar no qual, segundo a inscrição de Pa Salt na esfera armilar, é seu lugar de origem.

    Um tanto espantada por lembrarem dela, ela acaba estendendo a temporada, mesmo que, com as festas de fim de ano, ela acabe sem um quarto para ficar. Mas Ceci adora dormir sob as estrelas, na beira mar; ela é um espírito livre que não sabe bem aonde é seu lugar. E até sua arte parece que não está mais funcionando.

    Railay Beach, Tailândia Foto: TripAdvisor

    Numa noite ela vê um rapaz misterioso, cabelos longos, lindos olhos azuis e não faz ideia de que acabarão por se tornar amigos. O Lobisomem (apelido que ela deu) não gosta de falar de si, mas é uma ótima companhia, em especial para alguém que está querendo fugir da solidão.

    "Estávamos à deriva naquele mundo e tínhamos ido parar juntos na mesma praia, sem a certeza do que estava por vir(...)."
    Mas esse personagem será de grande ajuda para dar uma levantada na autoestima dela. Os dias que passam juntos serão início de uma amizade, coisa da qual Celeno não se achava capaz.

    Estimulada por ele a seguir em frente, ela parte para a Austrália, feliz pelos dias tranquilos bem acompanhada e com a nova amizade estabelecida.

                                                  
    Na Austrália ela encontra a animada atendente Chrissie, que é uma garota alto astral, positiva e muito interessante! Chrissie, com sua curiosidade, acaba dando uma ajuda na busca dela e as duas mantêm contato, além de estimular Celeno a tentar voltar a pintar. Através dela que a Ceci descobre mais sobre as dificuldades dos aborígenes, tanto no passado quanto nos dias atuais.

    "O que quer que aconteça na sua vida, querida Ceci, a única coisa que não pode ser tirada de você é o seu talento." Pa Salt

    Eu adorei a Chrissie, por ser o oposto da Celeno e por ver que ainda assim as duas conseguiam se entender. 

    Vamos conhecer o Francis, que é um artista maravilhoso, um senhor na casa dos setenta anos mas que nem aparenta. Eu adorei o jeito dele, efusivo, atento e compreensivo. Ele ajudará a Ceci no crescimento pessoal e a lidar com seu bloqueio artístico, a acreditar mais em si mesma.

    Cordilheira MacDonnell. Foto: Hema Maps

    Adorei a incursão pela Austrália, a cultura dos aborígenes, o pontilhismo.

    E como não podia faltar, a narrativa tem a versão do passado e eu adorei! Muitoooo!

    Kitty McBride, apesar de ter apenas dezoito anos, foi corajosa em viajar com uma desconhecida, por mar e durante um mês, para um lugar desconhecido e sobre o qual tinha lido sobre a vida selvagem e a possibilidade de parar na panela dos nativos. Foi muito bom acompanhar o desabrochar da Kitty, longe do pai que era pastor. Foi de ficar com o coração pesado ler sobre o preconceito das pessoas contra os aborígenes e até mesmo com os mestiços, e pensar que ainda temos disso na sociedade atual.

    A família Mercer, com a qual se hospeda, tem um grande peso na vida da garota. Embora nem Kitty, e muito menos nós possamos saber, Edith Mercer desde que a vê lhe trata com frieza. O que não acontece com os homens da família. Stefan, o patriarca, a trata bem. Drummond, o filho animado e impulsivo gosta bastante dela, e as cenas entre os dois são por deveras engraçadas. Andrew é o filho responsável e mais sério.

    A maneira de Katherine agir, guiada por amor e compaixão, vai lhe causar algumas reprimendas, mas que ela não deixa mudar seu caráter. Numa dessas ela salva Camira (uma aborígene) e logo as duas confiam entre si a ponto de não serem apenas uma relação empregada/patroa, elas se tornam amigas.

    Gostei de Camira e sua liberdade, seus cânticos, suas tradições. Ela tem uma linda história paralela a de Kitty. Ou deveria dizer cruzada?!

    O certo é que se algo de ruim acontece, Kitty não se deixa vencer. Não importa a opinião alheia, ela faz o que acha melhor, mesmo sabendo que será criticada. Definitivamente uma mulher que tem a cabeça no lugar e que vai conquistar a muitos.
                                           
    A Missão Hermannsburg. Foto: Alice Springs News

    Foi lindo acompanhar as descobertas de Celeno, a história que deu início a dela. Gostei do amadurecimento da personagem, ganhando confiança, aceitando elogios, buscando ser uma pessoa melhor.

    Foi bom ver aquela menina que se depreciava começar a se aceitar, acreditar em seu dom e descobrir seu verdadeiro lugar. Além de perceber que estava agindo errado com relação à irmã.

    Lucinda Riley criou uma intrincada trama com tantas vidas se cruzando de uma maneira inacreditável, hipnotizante. Com uma mocinha que amadurece e encontra a si mesma e personagens secundários que me conquistaram sem dificuldade. Uma trama crível. E o mito da Pérola Rosada que me deixou de pelos arrepiados. Um livro que recomendo, não se deixe abater pela vagareza inicial, ou pela chatice da Ceci com sua auto piedade e descrença.

    "Pela Graça de Deus, sou o que sou"

    A Irmã da Pérola é magistral em incutir a lição de moral de que devemos ser nós mesmos, não o que nos dizem para ser. Reafirma que não há motivo para avaliar uma pessoa por sua cor ou crença. Chega de preconceito. O que importa é o caráter! E que devemos vencer nossos medos, pois ele é nossa maior perdição. Não deixe que o medo lhe paralise, você é capaz!

    Ps.: Não sei vocês, mas quando citam pessoas famosas nos livros, eu gosto de checar se era apenas um personagem criado ou não. E bem, fiquei feliz por na trama o Albert Namatjira, pois pude ver suas lindas obras! E compartilho abaixo com vocês.


    0 comentários :

    Postar um comentário

    O seu comentário alegra o nosso dia!!!