A Volta ao Mundo em 80 dias, Júlio Verne

Londres, 1872. Ao sentir-se desafiado por seus companheiros de clube, o gentleman inglês PhileasFogg aposta que é capaz de dar a volta ao mundo em apenas 80 dias, arriscando todo o seu dinheiro. Homem misterioso, de poucas palavras e rotina inabalável, Fogg inicia a viagem no mesmo dia, levando consigo apenas seu empregado recém-contratado, o francês Jean Passepartout, e uma bolsa.
A volta ao mundo em 80 dias é uma incrível aventura pelos mais diversos locais, culturas e situações. De Londres a Yokohama e de lá para Nova York, passando por Bombaim, Hong Kong, São Francisco e outras cidades, em barcos, trens, elefante e trenó a vela, Verne leva nossos heróis – aos quais se juntarão o inspetor Fix e a deslumbrante Ms. Alda – a enfrentar tempestades marítimas, fanáticos religiosos, sabotagens e ataques de índios e de lobos famintos.
A Volta ao Mundo em 80 Dias
Edição Comentada e Ilustrada
Clássicos Zahar
Júlio Verne
Ano: 2017
Páginas: 240
Idioma: português
Editora: Zahar

Quero começar dizendo que este livro foi uma grata surpresa para mim que tive meu primeiro contado com Júlio Verne com quatorze anos com Viagem ao Centro da Terra, livro mais próximo de ficção científica do que A Volta ao Mundo em 80 dias que, a meu ver, mesmo com todos os momentos de grandes descrições dos cenários, traz um toque do humor francês e uma sutil crítica social sobre cada local que apresenta.

Phileas Fogg é um homem fleumático, prático e lógico, com hábitos muito previsíveis e uma rotina matematicamente planejada. Por isso o choque de seu criado recém contratado, Passepartout, quando Fogg retorna do clube de cavalheiros ao qual ele pertence dizendo para arrumar tudo pois os dois farão uma pequena viagem ao redor o mundo em nada menos que 80 dias para vencer uma aposta!

Com grande pesar pois pensou ter encontrado o patrão sossegado e ideal para si, Passepartout corre para agradar Fogg e preparar o que ele pediu para a viagem. Eles então partem em uma jornada contra o tempo usando de trem, navios a vapor, elefante ou qualquer outro meio que possa agilizar e ajudar Fogg a vencer a aposta.
Entre contratempos, complicações e muitas trapalhadas de Passepartout (que a meu ver deveria se chamar Paspalhou, pois oh cara para fazer besteiras), eles enfrentam sacerdotes, fanáticos religiosos e ainda de quebra um detetive que suspeita que a jornada é uma manobra de Fogg para fugir de um crime.

Fogg é um personagem difícil de gostar no começo, todo sério e racional, parecendo quase um robô sem emoção, bem diferente de seu criado que é um personagem muito mais carismático, humano e extrovertido, porem à medida que a história avança, Fogg revela um lado mais caloroso de sua personalidade e gradualmente se mostra heroico, generoso e determinado. Até mesmo Fix (o qual criei certa antipatia no início da trama), o detetive que persegue Fogg e faz de tudo para atrapalhar a viagem, mostra-se um personagem decente e batalhador no final do processo.

Gostei demais da leitura. Como disse no início da resenha, é um livro diferente do que esperava trazendo uma história que me rendeu boas risadas, momentos de tensão, mistério com suas reviravoltas alucinantes e, para fechar com chave de ouro, um doce momento suspirante.

Só dois detalhes não me convenceram: o que motiva Fogg a fazer esta viagem e como se desenrola a situação que envolve Fix, Fogg e Passepartout.

A edição comentada e ilustrada da Zahar, como sempre, está maravilhosa, com ótima tradução, prefácio comentado e cronologia de vida e obra do escritor, além de um mapa com a rota feita por estes aventureiros.

Um comentário

  1. A Zahar tem trazido em seu catálogos alguns trabalhos únicos e oh, esse voltar ao passado, é maravilhoso.
    Eu li Júlio tem séculos e confesso que muitos detalhes ficaram perdidos na memória, é claro.
    Já vou namorar essa edição né?
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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