Título: A Escolhida
Autor: Lois Lowry
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 192
Ano de Publicação: 2014
Sinopse:
Kira, uma órfã de perna
torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do
momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo
Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a
habilidade de bordar de forma extraordinária.
Ela supera a habilidade
de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode
fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe
que está rodeada de mistérios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção
de descobrir a verdade sobre o mundo.
“Tremeu levemente de
medo. O temor sempre fizera parte da vida das pessoas. Por causa do medo, elas
construíam abrigos, buscavam comida e plantavam hortas. Pelo mesmo motivo,
armazenavam armas, precavidas. Havia o medo do frio, da doença, da fome, das feras.
E foi o medo que a
impulsionou naquele momento, apoiada em seu cajado. Ela lançou um último olhar
para o corpo sem vida que um dia abrigara sua mãe e perguntou-se aonde poderia
ir.”
Como simplesmente adorei
O Doador, não podia esperar para ler A Escolhida, anunciado como a sua continuação,
e saber o que aconteceu com o meu personagem preferido.
Mas, lamentavelmente, A
Escolhida não é uma continuação de O Doador, e sim uma nova história que em
momento algum faz alusão a primeira, com personagens diferentes, ambientado em
um local diferente. E ainda deixou a desejar.
A Escolhida é Kira,
menina que nasceu com um defeito na perna que a faz mancar, e no seu mundo
estaria destinada ao Campo de Partida, local onde as pessoas são deixadas para
morrer, por causa da sua deficiência, pois ela seria um peso para a sua família
e comunidade. Mas sua mãe Katrina não permite e a cria sozinha, pois o seu pai
foi devorado pelas feras.
Mas ela vê o seu destino
mudar com a morte repentina da mãe. Sozinha e indesejada pelos vizinhos que
saqueiam a sua casa, Kira não tem muitas esperanças para o futuro.
Logo Kira vê o seu
destino mudar ao ser convidada para restaurar a túnica centenária do Cantor,
túnica que, através de delicados bordados conta a história da comunidade e será
usada no dia da Congregação, o evento mais importante do vilarejo, quando o
cantor canta a história do seu povo. Antes restaurada por sua mãe, o Conselho
descobre que Kira é ainda mais habilidosa e lhe dá um trabalho e um local para
morar com regalias que ela jamais imaginaria.
Kira vai morar no prédio
do Conselho e lá conhece Thomas, um jovem talentoso entalhador encarregado de
restaurar o cajado que o Cantor usa.
Por um curto tempo, Kira,
Thomas e Matt, seu único amigo dá época em que morava no vilarejo, eles são
felizes, até que Kira começa a perceber que há muito mais por trás dessa
suposta bondade do Conselho. Segredos começarão a ser revelados e Kira terá que
tomar decisões importantes que podem mexaer com toda a comunidade.
Uma narração lenta, sem
grandes emoções e descobertas, onde tudo fica nas entrelinhas e cabe À
imaginação do leitor ir traçando o que virá a seguir. A Escolhida é um dos
poucos livros distópicos sem grandes acontecimentos e tragédias, surge como uma
pequena amostra do que se passa em uma determinada comunidade que criou suas
próprias regras de convivência.
Kira não é uma personagem
cativante como Jonas, apesar de ser uma garota forte e corajosa. Acho que Matt rouba
a cena várias vezes e ele sim, é um fofo.
Achei muito interessante
como são dados os nomes aos habitantes desse mundo: ao nascer, o nome das
crianças tem apenas uma sílaba e, a passagem pelas fases de adulto e idoso são
marcadas pelo acréscimo de novas sílabas. Não sabemos como o mundo de Kira se
tornou o que é, nem o porquê dessa pseudo seleção natural, onde só os fortes
devem sobreviver. Aos poucos, alguns detalhes sobre o ambiente são revelados pela
própria descoberta dos personagens que vão desvendado os mistérios para o
leitor.
A autora está de parabéns
por ter criado mais um mundo distópico com semelhanças com o nosso: busca
desenfreada pelo poder, utilização das pessoas como objetos, desprezo pelos
mais fracos, manipulação. Vamos aguardar pelo terceiro na esperança de saber o
que aconteceu com Jonas.