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Estante da Tata: American Gods - 1ª Temporada até agora (Crítica)


Este é considerado o melhor e mais ambicioso romance de Neil Gaiman. É uma viagem assustadora, estranha e alucinógena que envolve um profundo exame do espírito americano. Gaiman ataca desde a violenta investida da era da informação até o significado da morte, mantendo seu estilo picante de enredo e a narrativa perspicaz adotados desde Sandman. Neil Gaiman oferece uma perspectiva de fora para dentro – e, ao mesmo tempo, de dentro para fora – da alma e espiritualidade dos Estados Unidos e do povo americano: suas obsessões por dinheiro e poder, a miscigenada herança religiosa e suas consequências sociais, e as decisões milenares que eles enfrentam sobre o que é real e o que não é.

Se você acompanha as resenhas aqui do blog, você sabe que eu sou fã louca, alucinada do Neil Gaiman. Vamos só dizer que ele está no meu top 5 de melhores autores da vida (na minha singela opinião).

E ai que alguns meses atrás começou a circular a notícia que um dos livros mais aclamados do Neil Gaiman iria virar serie.

Eu fiquei muito preocupada e feliz ao mesmo tempo.

Por um lado, Deuses Americanos é um livro bastante complexo, com cenas polêmicas e repleto de um humor e sensibilidade únicos, que são extremamente difíceis de adaptar para o cinema/TV, o que, obviamente, levou minhas expectativas lá pra baixo. Por outro lado, eu sabia que a propaganda da série faria com que muitas pessoas começassem a pesquisar sobre o autor e, quem sabe, até mesmo ler os seus livros.

Até o ano passado, vários livros de Neil Gaiman, incluindo Deuses Americanos, estavam com suas tiragens esgotadas a anos! Com o anúncio da série, as editoras entraram em uma corrida para republicar os livros antigos em edições novas com capas mais modernas.

O que eu quero dizer com tudo isso é que, independente da série ser boa ou ruim, ela desencadeou uma série de eventos pelos quais eu estou realmente grata (Tem ANOS que eu tento comprar um exemplar de Belas Maldições e só agora eu consegui!).

 Mas aí veio a surpresa. A série de Deuses Americanos não é boa, ela é MARAVILHOSA.


Adaptações literárias são sempre complicadas, mas Deuses Americanos mostra que, com cuidado e, principalmente, com respeito a obra original, coisas incríveis podem acontecer.

Deuses Americanos conta a história de Shadow Moon, um condenado que acabou de sair da prisão só para descobrir que sua esposa morreu um dia antes. A caminho do funeral de sua esposa, Shadow conhece um homem misterioso chamado Quarta-Feira e desse homem ele recebe uma proposta de trabalho.


Rodando os Estados Unidos com o Quarta-Feira (Wednesday), Shadow começa a perceber que o mundo não é tão simples como ele achava e que ele, na verdade, está no meio de uma guerra entre os deuses antigos (Odin, Anubis, Anansi...) e os deuses novos (o dinheiro, a mídia, a tecnologia...).


Para os deuses, o que lhes dá poder, o que lhes mantem ‘’vivos’’ é a adoração, a lembrança dos seus fiéis. Os deuses antigos estão perdendo suas forças, vivendo de forma medíocre e perdendo os seus lugares para os deuses novos.

O tempo passa e as crenças mudam, as pessoas mudam e aquilo que elas reverenciam também e com isso novos deuses surgem. O problema é que certos deuses antigos não querem ser esquecidos, não querem morrer e, por conta disso, iniciam uma guerra que vai mudar tudo.



Eu gostaria de poder explicar mais sobre a história mas eu não posso fazer isso sem entregar muito mais. Mas eu gostaria de dizer que Deuses Americanos é um livro excepcional e se tornou uma série de tv maravilhosa.

Neil Gaiman criou um mundo onde os deuses de todas as mitologias coexistem de forma que te leva a crer que a crença em sua existência é que os torna reais. Nenhuma religião está correta, mas sim, todas. O que você acredita, aquilo no que você tem fé, é o que é real para você.

Assim como vários livros de Neil Gaiman, Deuses Americanos retrata o mundo como ele é e faz isso de forma crítica e interessante. Seus personagens têm diferentes origens, diferentes crenças e vários tipos de sexualidade. Todos os personagens são complexos e bem escritos e diversidade é a palavra-chave aqui.

Neil Gaiman nunca teve medo de escrever as coisas como elas são, com diversidade, e sempre foi criticado por isso. Lá em 1991, uma das suas histórias mais premiadas, foi alvo de gigante boicote no Estados Unidos porque por que continha personagens gays, lésbicas, bissexuais e trans.

É indiscutível como Neil Gaiman trata a evolução da humanidade, começando pelos deuses mais antigos que eram venerados pelas dadivas que eles proporcionavam (colheitas, fertilidade, chuva) e como hoje, ainda que indiretamente, é o poder, o dinheiro, a mídia, a tecnologia que recebem essa “admiração”.

Deuses Americanos é de longe a melhor série que estreou esse ano e, mesmo após somente 3 episódios, já foi renovada para uma segunda temporada.



PS: Deuses Americanos é um ótimo livro, mas o meu favorito do Neil Gaiman é Belas Maldições (uma história cômica sobre o apocalipse que envolve um anjo que não quer voltar para o céu porque lá é muito chato e um demônio que não quer voltar para o inferno porque lá faz muito calor e os gritos dão dor de cabeça nele) e Lugar Nenhum (um homem descobre que existe uma Londres inteira embaixo da Londres comum, mas que uma pessoa não pode habitar entre os dois mundos. Ao viver em uma Londres, você se torna invisível na outra).

Aviso: Deuses Americanos possui várias cenas explicitas, nudez e violência. Não é recomendável para menores de 16 anos.



Leitura da Drica: A bela e a Adormecida, Neil Gaiman e Chris Riddell - Rocco

Título: A Bela e a Adormecida


Título original: The Sleeper and the Spindle

Autor: Neil Gaiman

Ilustrações: Chris Riddell

Editora: Rocco

Ano: 2015

Páginas: 70

Sinopse:
Em uma sombria e fascinante história, as mais queridas princesas dos contos de fadas são reinventadas de maneira brilhante pelo inglês Neil Gaiman e o ilustrador Chis Riddell. Em A Bela e a Adormecida, uma jovem rainha é informada, na véspera de seu casamento, sobre uma estranha praga que assola as fronteiras do seu reino, um sono mágico que se espalha pelo território vizinho e ameaça os seus domínios. Na companhia de três anões, a rainha abandona o fino vestido da festa, pega sua espada e armadura e parte pelos túneis dos anões para o reino adormecido. Uma viagem repleta de ação e suspense que leva a uma surpreendente descoberta. Misturando o conhecido e o novo com perfeita sintonia, Gaiman cria mais uma obra repleta de magia e aventura capaz de hipnotizar o mais exigente dos leitores.



Resenha da Drica: O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman, da Intrínseca

Título Original: The Ocean at the End of the Lane

Ano de Lançamento: 2013

Número de Páginas: 208 páginas

Editora: Intrínseca

Tradutor: Renata Pettengil


Sinopse

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.

Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Por incrível que pareça, esse é o primeiro livro de Neil Gaiman que li. O primeiro porque agora quero ler todos!!!!!!!!!!! O livro é fantástico, literalmente, mágico e impressionante, que proporciona um misto de emoções, desde o fascínio, passando pela incredulidade até a paixão pelos personagens. 

“Pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes, e você nunca vai ver duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma forma.”

O livro é narrado em primeira pessoa, temos um homem adulto revivendo suas memórias de quase quarenta anos, quando era uma criança de 7 anos de idade. Esse revival acontece quando ele retorna à Sussex, cidade da Inglaterra onde viveu sua infância para um funeral e acaba indo parar na fazenda das Hempstock, onde viveu grandes aventuras no passado.
Lá ele começa a relembrar fatos que marcaram sua infância: a festa de aniversário em que nenhum amigo foi; o inquilino que atropelou seu gatinho, roubou o carro do pai e se suicidou logo depois; a mãe que precisava trabalhar fora e da babá estranha que tomava conta dele e da irmã menor; o lago que era como um oceano; e de Lettie Hempstock, a criança que morava na casa no final da rua, sua única amiga e companheira através dos mistérios de um mundo hora real hora fantástico.
Ponto para como o autor narra a infância, através das memórias de um adulto, ainda com o leve toque da inocência. 

“Fui para outro lugar em minha cabeça, para dentro de um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou muito inflexível.”

Ele era um apaixonado pela leitura, fã incondicional de livros e quadrinhos. 

“Os livros eram mais seguros que as pessoas de qualquer maneira.”

A Família Hempstock era composta por três mulheres que, conforme a descrição do livro, não eram bruxas, mas verdadeiras sábias que viveram muito e conheciam a sabedoria do universo. Ou seja, o que chamariam por aí de bruxas. Lettie, sua amiga, e a mais nova Hempstock. 

A aventura começa com o suicídio do inquilino, o que abre a porta para um mundo cheio de possibilidades aparentemente absurdas e personagens sombrios. Coisas estranhas começam acontecer, um espírito chega à cidade atraído por essa morte, e logo assume a forma de Úrsula Monkton, uma governanta, que ameaça matá-lo e destruir sua família.

“Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho.”

O livro é um passeio pelos milhões de possibilidades imaginativas que a infância nos proporciona, que traduz os pensamentos e falas de uma criança de maneira poética com dosagens corretas de drama nos momentos cruciais. É também um livro que fala de amizade e de como ela tem um poder transformador na vida de crianças ou adultos. Nos faz refletir e repensar o que foi a nossa infância, uma verdadeira fábula para adultos!

"Não tenho saudade da infância, mas sinto falta da forma como eu encontrava prazer em coisas pequenas, mesmo quando coisas maiores desmoronavam."

O Oceano no Fim do Caminho já teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pela produtora Playtone, com o diretor Joe Wright (Anna Karenina, Desejo e Reparação) ligado ao projeto. A mesma produtora está trabalhando na adaptação de outro livro de Gaiman, Deuses Americanos, como série de TV na HBO.

“Este é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões...”