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Família de Mentirosos, E. Lockhart






Descubra o que aconteceu vinte e sete anos antes dos eventos narrados em Mentirosos, com uma narrativa igualmente viciante, trágica e envolta em mistérios.


Não é fácil para Carrie ser a principal herdeira da família e carregar todas as expectativas que vêm junto com seu sobrenome. Para ser uma Sinclair perfeita, ela não deveria demonstrar emoções ― nem mesmo o sofrimento profundo pela morte recente de sua irmã caçula. Para ser uma Sinclair perfeita, deveria se submeter à cirurgia na mandíbula que seus pais insistem que ela faça, mesmo que isso lhe renda dolorosas semanas de recuperação ― e um vício em analgésicos.
No verão de seus dezessete anos, a família vai para Beechwood, a ilha particular onde sempre passa as férias. Mas, dessa vez, há algo de diferente: entre os visitantes da ilha está Pfeff, um garoto que mexe com os sentimentos de Carrie. Mas esse relacionamento está longe de ser um conto de fadas ― e essa história dificilmente vai acabar em um “felizes para sempre”.

Família de Mentirosos
A história que aconteceu antes do best-seller Mentirosos.
Mentirosos #0.
E. Lockhart
Ano: 2022
Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Seguinte


“Contar essa história vai ser doloroso. Na verdade, não sei se vou conseguir contá-la com sinceridade, mas vou tentar.
Menti durante a minha vida inteira, sabe?
Não é algo raro em nossa família.”

Família de Mentirosos nada mais é do que o relato de Carrie ao fantasma do seu filho Johnny, em uma de suas visitas à ilha Beechwood, quando ele pede que a mãe lhe conte uma das piores coisas que ela e suas irmãs Penny e Bess já fizeram. E então que Carrie nos conta o que aconteceu no verão dos seus 17 anos. Falando assim, parece uma história boba, não é? Não, não mesmo! Carrie vai remecher em fatos a muito deixados para trás e desenterrar, literalmente, segredos nunca antes revelados. 

Carrie é a filha filha mais velha de Tipper e Harris e a principal herdeira de todas as expectativas da família. Harris é um homem cheio de regras e frases de efeito que faz questão que suas filhas e esposa as sigam meticulosamente. A família Sinclair não demostra emoções, mesmo quando a tristeza vem por causa da morte da irmã mais nova, todos dão o seu melhor em nome da família  e todos sempre seguem em frente. E Carrie não quer decepcionar sua família. 

" Nossa família sempre amou contos de fadas. Tem algo de feio e verdadeiros neles. Machucam, são estranhos, mas não conseguimos parar de lê-los, várias vezes. "

Mas nesse verão a ilha Beechwood estará mais cheia. Yardley, prima de Carrie, chega com o namorado, George, e dois amigos, que vão desequilibrar o bom andamento das coisas na ilha. Além deles, Penny recebe sua amiga Erin. E como se era de esperar em uma ilha cheia de adolescentes, os hormônios começam a falar mais alto e Carrie, apesar dos avisos, se envolve com Pfeff e tem sem coração partido, não só por ele mas por mais alguém de sua confiança. Assim, ela busca refúgio no uso de analgésicos fortes e de remédios para dormir que a mantém longe de sua dor física, mas também da dor psicológica e na visita constante do fantasma de Rosemary, a irmã que morreu afogada. 

Com uma narrativa menos intensa do que em Mentirosos, Carrie nos guia por uma história cheia de falhas, que nos desperta dúvidas em relação à veracidade dos fatos, principalmente por nos advertir desde o começo que é uma mentirosa. Mas confesso que, ainda assim, eu não estava preparada para suas revelações, muito menos para a reviravolta que acontece a poucas páginas do final. 

Família de Mentirosos é um livro que mexe com o leitor do começo ao fim por abordar vários temas delicados como as expectativas dos pais em relação aos seus filhos, a angústia entre fazer o que esperam da gente ou seguir com o que acreditamos ser certo, o poder que a família exerce sobre nós e do que somos capazes fazer por quem amamos. 

Mais uma vez, a função de E. Lockhart aqui não é condenar ou inocentar os seus personagens, mas trazer à discussão comportamentos humanos possíveis e reais, que despertem discussões proveitosas. 

Conheça três damas do crime 🧐

 






A garota no espelho, Rose Carlyle



As irmãs gêmeas Íris e Summer são idênticas, mas, além do que a aparência pode revelar, há uma estranha escuridão que as diferencia. Insegura e cínica, Íris nutre uma doentia inveja da sorte aparentemente interminável de Summer, incluindo seu marido perfeito, Adam.
Íris deseja ter uma vida como a da irmã – ou, por que não, ter a própria vida da irmã. Mas até onde Íris seria capaz de ir para ter o que sempre sonhou, ainda mais quando há a fortuna de seu falecido pai em jogo?

Em um thriller em que as aparências enganam, confundem e despertam o pior de cada indivíduo, A garota no espelho conta com uma trama intricada, cheia de reviravoltas, em que nada – nem ninguém – é o que parece ser.

A garota no espelho
Gêmeas idênticas na aparência, mas perigosamente diferentes. Uma quer a vida que a outra tem. Até onde ela iria para conseguir?
Rose Carlyle
Ano: 2022 
Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Astral Cultural

“A esperança é um demônio. Ela brinca com você, flerta. E, quando você começa a confiar, ela desaparece.”

É possível que você leia a sinopse de A garota no espelho e acredite que já viu ou leu algo parecido antes. Sim, é verdade. Histórias de gêmeas idênticas com personalidades opostas e uma boa dose de maldade não são nova no mundo literário. Mas histórias assim que ainda surpreendem o leitor como esse livro faz, têm sido cada vez mais raras.

Summer e Íris são gêmeas idênticas. Filhas de pai rico que mantinha uma outra família, resolveu deixar toda a sua herança (que não é pouca coisa) para o filho que lhe desse o primeiro neto dentro de um casamento legal. Fato que, na minha opinião, é o gatilho para que o lado sombrio de qualquer ser humano aflore. 

Summer é a gêmea popular, que até parece ser mais bonita, bem sucedida profisionalmente e casada com um homem rico e bonito. Enquanto Íris é a gêmea apagadinha, que está sempre à sombra da irmã, advogada sem emprego e se separando do marido, vive se perguntando porque a vida não lhe foi justa e inveja quem Summer é e o que ela conquistou. 

“Lembro do que meu pai teria dito: As pessoas boas são imbecis.”

A história é contada pelos olhos de Íris e alterna o passado da família narrando alguns fatos que vão ajudar o leitor a mapear quem é quem nesse mistério, e o presente das duas irmãs que se unem para levar o iate da família até um porto seguro e suas consequências. 

Se você é um leitor de thrillers psicológicos assim como eu, vai achar o começo um tanto lento e terá dificuldade em se envolver com alguns personagens que parecem estar ali apenas para fazer render a história. Mas acredito que tudo isso tenha sido uma estratégia da autora para pegar o leitor desatento e chocar ainda mais quando as revelações começarem. Revelações essas que, por mais que pareçam óbvias ao longo da história, sempre trarão, no mínimo, uma justificativa totalmente inusitada.

A garota no espelho é um livro muito bem construído, onde cada detalhe escondido ou aparentemente superficial vão somar para um desfecho que pode não agradar a muitos, mas faz todo o sentido. Além de trazer à tona uma quantidade absurda de discussões sobre quem realmente somos quando ninguém está olhando e do que somos capazes de fazer quando ninguém pode saber.


Um pequeno gesto de gentileza, Lucy Dillon



Libby é uma mulher otimista e sonhadora que leva uma vida bastante sofisticada em Londres. Com a morte de seu sogro, ela e o marido decidem ir para o interior da Inglaterra, para ajudar sua sogra a cuidar do hotelzinho da família.
É uma mudança e tanto na rotina dos dois, mas Libby logo fica animada para transformar a simples hospedagem em um hotel butique. Em pouco tempo, porém, ela percebe que esse projeto é muito mais estressante do que imaginava. Além disso, apesar de estar convivendo bem mais com o marido, ela nunca se sentiu tão sozinha.

Um dia, ao testemunhar um atropelamento em frente ao hotel, Libby não faz ideia de que sua vida está prestes a mudar drasticamente de novo. Alice, a vítima do acidente, perde a memória e, como está sem telefone ou documentos, ninguém consegue saber sua origem. Enquanto ela não se recupera, Libby lhe oferece abrigo.

De maneiras diferentes, as duas mulheres se veem em uma crise de identidade, e esse pequeno gesto de gentileza de Libby dá início a uma reação em cadeia de novos começos para elas e todos ao seu redor.

Um pequeno gesto de gentileza
Romances de Hoje
Ano: 2022
Páginas: 416
Idioma: português

Libby e seu marido Jason, acabam de se mudar para o hotel da família dele com o objetivo de ajudar a mãe do rapaz, Margareth, na condução do empreendimento, agora que o pai de Jason se foi. A mudança carrega segredos do relacionamento de Libby que ela não pode revelar para ninguém, além do fato de usar isso como objetivo para enfim conseguir retomar seu casamento que está por um fio. As mudanças que eles precisam fazer vão além da estética do hotel e isso vai acabar mexendo com tudo que Libby sempre acredito.

Somado a mudança brusca no estilo de vida, uma jovem desconhecida, chamada de Pippy, parecia estar indo para o hotel quando sofreu um grave acidente e perdeu a memória, sem saber quem ela é, a moça vai contar com a generosidade de Libby para tentar reconstruir sua vida na medida em que se lembra da própria história. Um mistério que ela precisa desvendar o quanto antes, pois nas bordas do seu subconsciente, ela sabe que algo muito ruim aconteceu e que esse é o gatilho para que tudo se encaixe na sua vida.

“É engraçado como queremos sempre ser diferentes quando somos crianças, e, depois, exatamente igual a todo mundo quando crescemos.”

Trazendo a história de vida de três grandes mulheres e as mudanças bruscas que elas enfrentam ao perder tudo, Lucy Dillon, com sua escrita apaixonante, nos apresenta o quão frágil somos quando não tomamos as rédeas do nosso próprio futuro e o quão forte podemos ser, quando finalmente decidimos tomar o controle da nossa própria história.

Libby, Margareth e Pippy, vão descobrir juntas o poder de se aceitar e confiar nos seus instintos, unindo forças em meio aos seus traumas para fazer dar certo uma empreitada que elas não começaram juntas, mas que no fim das contas vão precisar finalizar.

“E amigos de verdade são de verdade. Não são pessoas que clicaram no seu perfil e te adicionaram só para ter mais amigos.”

Embora seja um romance, o drama familiar e o mistério em torno de Pippy, vai muito além do que qualquer casal formado na história, a abordagem da autora carrega sentimentos pessoais e importantes, que podem se mesclar facilmente a vida de quem está lendo. Eu, por exemplo, me senti bastante representada por uma das personagens e tudo que não chorei em todo o livro, chorei no final com o desfecho da obra.

Além de toda a obra, somos presenteados durante a leitura com um personagem incrível, Lord Bob Corcoran (o dog desse livro) arrebata corações e faz a gente suspirar sempre que ele aparece, com certeza ele é o meu personagem favorito de todo o livro. Mas quero saber de você, curte histórias com doguinhos? Já leu algum livro da Lucy? Vamos conversar!


Antes que o café esfrie, Toshikazu Kawaguchi



Em uma ruazinha estreita e silenciosa de Tóquio, num subsolo, existe um estabelecimento que, há mais de 100 anos, serve um café cuidadosamente preparado. Graças a uma lenda urbana, o local recebe diversos frequentadores que esperam ansiosamente para viver uma experiência única: fazer uma viagem no tempo.
Aqueles que retornam ao passado devem estar cientes dos riscos e também das regras, já que a jornada exige que o cliente se sente numa cadeira específica e reencontre somente pessoas que já tenham visitado o estabelecimento. Mesmo assim, quatro personagens aproveitam a oportunidade para tentar resolver dramas do passado.
A experiência é imperdível, mas o tempo é curto. Mais precisamente, até o café esfriar.

Antes que o café esfrie
# 1
Toshikazu Kawaguchi
Ano: 2022 
Páginas: 208
Idioma: português
Editora: Valentina

O que você faria se pudesse voltar no tempo por alguns instantes para reencontrar alguém muito importante?

Em um pequeno café antigo do Japão, uma mágica pode acontecer e os interessados podem voltar no tempo para reencontrar alguém. Como toda volta no tempo, ali no café também existem regras e a principal delas é saber que: mesmo voltando ao passado, o presente não será mudado, não importa o que você faça.

Mesmo sabendo que não há possibilidade de mudar o presente, algumas pessoas se aventuram nessa jornada e, antes que o café esfrie, elas podem reviver um momento, relembrar uma história ou fazer algo que tiveram vontade, mas nunca coragem de fazer. É isso que acontece com Fumiko, que retorna para dizer algo importante para o seu namorado; com Kohtake, que retorna para receber algo importante do marido; com Hirai, que volta para reencontrar sua irmãzinha; e Kei, que viaja para o futuro para ver alguém especial.

“A vida não vem servida numa bandeja. Por que você não desiste de vez?”

Voltar ou ir para um ponto específico da vida é importante para que esses personagens possam entender algo da própria história, ajudando a tomar decisões que vão mudar o rumo das coisas para sempre. Embora o presente não seja mudado, a vida muda o tempo todo e essas mulheres, viajantes do tempo, compreendem isso a partir das escolhas que fazem.

Dividido em quatro histórias, cada uma focada em uma das personagens citadas, o livro de Toshikazu nos ensina a importância de não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje, muito menos guardar os sentimentos que queremos expressar. A vida é curta demais para escondermos o que sentimos.

“A água escorre dos lugares altos para os mais baixos. Sempre. É a natureza da gravidade. As emoções também parecem agir de acordo com a gravidade. Na presença de alguém com quem se tem laços, a quem você já confiou seus sentimentos, fica difícil mentir sem que o outro perceba.”

Se você ainda não leu essa obra, recomendo muito a experiência, pois além de personagens divertidos, o livro carrega mensagens incríveis e que, com certeza, vão te tocar de alguma forma. Para mim, principalmente a terceira história, tocou imensamente. E aí, já leu ou vai ler? Qual o último livro que te tocou? Vamos papear!