Queer, William Burroughs

"Embora tenha sido escrito em 1952, Queer só veio a público mais de três décadas depois por conta de sua explícita temática homossexual. Ambientado na Cidade do México do início dos anos 1950, o romance acompanha William Lee — alter ego de William Burroughs e protagonista dos livros Junky e Almoço nu — durante uma crise de abstinência de drogas, que ele tenta superar com álcool e com uma paixão obsessiva pelo ambíguo e indiferente Eugene Allerton. Juntos, os dois partem para a América Latina em busca da ayahuasca, a nova droga do momento. A atmosfera frenética e o ritmo alucinado marcam a narrativa e os monólogos do protagonista, antecipando o estilo visceral que estaria presente em toda a produção literária de Burroughs. Este volume ainda conta com a introdução do autor à primeira edição do livro, de 1985."
Queer
Ano: 2017 
Páginas: 144
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras


Esqueçam tudo que vocês leram em Almoço nu, pois Willian Burroughs novamente nos dá uma rasteira! Queer possui uma linguagem bem leve comparada ao livro anterior, e pareceu um banho de água gelada após a fornalha Almoço nu.

Em Queer, nosso protagonista Willian Lee está sobrevivendo a uma abstinência de drogas, se jogando nos braços do álcool (sai do pior para o menos pior). Sua vida se resume a pubs gays e admirar jovens que escondem a sua sexualidade, pois ser considerado “bicha” é a maior das vergonhas, mas em suas privacidades, esses mesmos jovens levam seus prazeres ao extremo.

A chegada de Eugene Allerton no seu meio social vai gerar uma necessidade de ter a presença de Allerton. Lee o deseja mais que tudo e tentará mudar o comportamento fechado de Allerton para que eles tenham uma relação recíproca.
O livro trará o desafio de Lee em saber se Allerton realmente gosta do mesmo sexo e, ao mesmo tempo, tentar descobrir o que Allerton pensa sobre seu comportamento. Nós podemos perceber uma relação mútua de interesse: Lee tentando obter uma noite com Allerton e Allerton aproveitando das ações de Lee para conseguir coisas com facilidade.

A aventura da história acontece quando Lee convida Allerton para uma viagem aos lados do Equador em busca de uma erva capaz de controlar o comportamento humano, droga que possivelmente era usada pela inteligência russa. Os dois viajarão pela América Latina em busca da Ayahuasca e, ao mesmo tempo, buscando os limites da amizade entre eles.

Queer é uma leitura bem envolvente e dramática, totalmente diferente do ritmo chocante de Almoço nu, e conhecer esse lado do Willian Lee foi uma surpresa e tanto. Lee continua não tendo vergonha na cara e já o considero um dos meus personagens preferidos, pela sua sagacidade e seu jeito sacana de viver uma vida sem escrúpulos.

A edição vem com uma capa sem muitos detalhes, mas com um rosa que chama a atenção de qualquer um. Gostei do nome do título ser mantido em inglês, pois a tradução não iria conseguir ter tanto destaque quanto o original (Você prefere “Queer” ou “bicha”?).


12 comentários

  1. Legal que o autor tenha essa capacidade de alternar entre algo pesado e leve; mas é uma pena que tenha levado tanto tempo para ser publicado.
    Gosto muito de drama, então essa história me chama mais atenção do que a anterior.

    Beijos

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    1. Sua característica de alternar os niveis das suas histórias é incrível!

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  2. Li a resenha de Almoço Nu hoje mesmo e se já tinha ficado super interessada em saber mais do autor, olha aí mais um super enredo!
    Essa "libertinagem" me agrada muito..rs e esse não se esconder também.
    Acredito que o autor seja o tipo cru e eu? Amo muito tudo isso!
    Com certeza, quero poder conferir em mãos os livros do autor!
    Beijo

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  3. Agora lendo a resenha desse livro fiquei com mais vontade de ler os livros
    Mas esse Queer me chamou muito mais a atenção, principalmente por ser um pouco mais dramático e mais leve

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  4. Minho!
    Gosto quando um autor consegue diversificar a forma de escrever e nos apresenta obras diferenciadas.
    Prefiro o título em inglês.
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Fiquei muito curiosa no autor desde saber um pouco sobre sua vida. Provavelmente eu começaria com Almoço Nu, pois adoro um choque na leitura kkkk

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    1. Eu prefiro que comece por Junkie, vai gostar mais ainda!

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  6. Burroughs dispensa apresentações e traz em sua escrita drama e crueza nas palavras. É um autor que tem muito a nos dizer e que bom que a sua obra esteja sendo resgatada e discutida. Amei!
    Ilmara

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