O Rei de Palha, K. Ancrum

August é considerado um desajustado piromaníaco, enquanto Jack é a estrela do time de rúgbi do colégio. A amizade dos dois nasceu ainda na infância, e a força dela é algo que eles mantêm em segredo.
Ninguém sabe, mas Jack e August contam com o apoio um do outro para sobreviver – o apoio que suas famílias não oferecem.
Quando Jack passa a ter alucinações cada vez mais vívidas, August decide ajudá-lo da única forma que sabe: saltando com Jack em seu reino fantástico que beira o mundo real.
Então, Jack guia August por uma jornada sombria, acreditando que assim suas alucinações terão fim. Enquanto lutam pela própria sanidade, eles seguem em queda livre por um mundo surreal. Mas, ao final, cada um deverá escolher a própria verdade.
Com capítulos intercalados por documentos, recortes, bilhetes, fotografias e outras memórias, O Rei de Palha é uma ficção contemporânea carregada de tensão, loucura e amor.
O Rei de Palha
Ano: 2018 
Páginas: 324
Idioma: português
Editora: Plataforma21

“ Minha mãe me falou uma vez que ficar sozinho deixa você mais fraco a cada dia, mesmo se não for fraco - ele disse, baixo - Mas não é tão ruim se estiver com outras pessoas que também estão sozinhas. Podemos apoiar una aos outros como um castelo de cartas."

A história de August e Jack é contada em capítulos curtos recheados de documentos, desenhos e fotos. Amigos desde a infância, é a ausência da família que parece os unir como se formassem a família desejada, mesmo que essa relação se mostre abusiva e bem tóxica para os dois. De um lado temos August que vive apenas com a mãe que tem problemas psicológicos e mal parece notar a existência do filho, sendo que ele assume toda a responsabilidade da casa, inclusive com ela, estendendo essa responsabilidade a Jack, cuidando desde a sua alimentação até a sua segurança.

Do outro lado temos Jack, totalmente negligenciado pelos pais que vivem viajando, enquanto ele está sempre sozinho, tendo August como única companhia. Depressivo e sofrendo de alucinações, à medida em que ele vai perdendo a sanidade, as páginas parecem estar queimando. Um recurso visual que faz o leitor ficar cada vez mais ansioso para o desfecho da história.
Apesar de alguns amigos de August perceberem que há algo de errado com o Jack e oferecerem ajuda psicológica, August recusa argumentando que Jack está bem. Mas quando tudo começa a piorar e Jack passa a ter alucinações, August acredita que fazer de conta que estão em um jogo é a melhor saída.

“-Você não pode morrer de um jeito tão idiota – ele sussurrou com raiva. – Preciso de você. Você é meu.”
Infelizmente não consegui me conectar com os personagens. Tive dificuldade em aceitar o relacionamento obsessivo de August com Jack de tentar ser o pai e a mãe que nunca estavam lá, quando August precisava tanto ou mais de carinho de uma família.  E de Jack com August que o trata como se fosse dono dele.

”August?

Ele tinha visto Jack cair e correr em direção ao abismo; August tinha saltado da beirada e mergulhado de cabeça nas trevas atrás do amigo. Tiraria os dois das profundezas com as próprias mãos.”

A história é válida pela forma realista como é narrada. Afinal, ninguém teve a adolescência dos sonhos, sem nenhum problema a resolver ou enfrentar. O Rei da Palha é aquele livro que te desestrutura, que faz você se questionar e tentar analisar coisas que viveu sobre um outro ponto de vista.

Mas o livro já valeria apenas pela sua dedicatória:

"Este livro é dedicado a todos os jovens cujos braços carregam coisas demais, mas que se esforçam ao máximo para não derrubar nada. Eu vejo vocês e tenho orgulho por tentarem."“Se você leu esse livro e viu muito da própria vida na interdependência e negligencia em que se encontravam August e Jack, por favor, saiba que não é culpa sua.Se você está lidando com algum tipo de doença mental e está cansado, por favor, saiba que não é culpa sua.Se você está se sentindo sozinho e sobrecarregado, por favor, saiba que não é culpa sua.(…)Você merece cura e crescimento também. Você merece alguém que converse com você sobre seu problema, você merece apoio incondicional, você merece cuidado e segurança e todas as coisas que ajudem você a prosperar. Só porque você talvez não as tenha não significa que você não as mereça. Se alguém lhe disser que você não merece tudo isso, está mentindo.Continue tentando fazer o seu melhor.(…)Se você soltar um pouco desse peso que está carregando, não tem problema. Você é totalmente capaz." 


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