• Home
  • Sobre o Blog
  • Colaboradores
  • Contato
  • Resenha da Drica: A Cruz de Morrigan, Nora Roberts - Bertrand


    Editora: Bertrand

    Número de páginas: 364


    Encadernação:Brochura


    Ano Edição: 2011

    Primeiro livro da tão aguardada Trilogia do Círculo. Publicado originalmente em 2006 como Morrigan’s Cross, esta não é a primeira história onde Nora Roberts usa o tema sobrenatural. No Legado dos Donovan também temos bruxas e até metamorfose e a série é da década de 90.

    Aqui Nora nos mostra sua mestria em escrever romances, adicionando vampiros, sem cair na mesmice que tem pairado por aí.

    Sinopse

    Eire, região do Chiarrai - 1128

    Nos últimos dias do verão irlandês do sec. XII, quando o céu se obscureceu e se encheu de relâmpagos, o feiticeiro contemplava o turbulento mar em cima do escarpado.
    Elevando seu grito de pena para a tormenta, Hoyt Mac Cionaoith clama contra o ser demoníaco que levou seu irmão gêmeo, separando-o de sua família. Esse cruel ser é Lilith. Durante milhares de anos, atraiu com seus enganos incontáveis homens condenando-os à imortalidade com seu beijo e lhes roubando a alma. Mas agora, esta poderosa vampira fará o que seja para governar o mundo.

    E nesse dia, embora Hoyt não encontre à escura sereia que procurava, receberá a ajuda da deusa Morrigan que lhe outorgará os poderes necessários para cumprir sua ansiada vingança. Em troca, deve encontrar outros cinco companheiros para formar um círculo suficientemente poderoso para destruir Lilith e seu batalhão do mal. Um círculo com seis membros: ele mesmo, a bruxa, o guerreiro, o sábio, aquele que adota várias formas, e aquele que perdeu.

    Agora, viajando a Nova Iorque de nossos dias, onde topará com seu gêmeo, agora vampiro, Cian, e Glenna, uma bela bruxa. Mais dois guerreiros, Moira e Larkin, se unirão em sua luta.


    E enquanto a paixão surge entre Hoyt e Glenna, os inimigos ressurgirão de entre as sombras e o Círculo de Seis, deverá preparar-se para o momento decisivo de sua confrontação com Lilith.
    Sua boca apertou a dele, faminta, os quadris se erguendo e se oferecendo. Ele lutou com o restante das próprias roupas, esforçando-se para devorar o mais que pudesse dela à medida que o calor se acentuava entre os dois...
    Paixão e poder açoitaram os dois, levando-os à beira da loucura. Ainda Assim, ela o entrelaçou com as pernas, encarando-o mesmo enquanto as lágrimas atribuíram brilho aos seus olhos.
    Ele a sentiu encolher-se sob si, tencionar-se como um arco. Quando a luz explodiu por seu corpo, tudo o que Hoyt pôde fazer foi sussurrar o nome dela.
    Pag. 206



    “A Cruz de Morrigan” é o primeiro livro de uma trilogia e conta a história de dois irmãos gêmeos: Hoyt e Cian Mac Cionaoith. O início da história se passa na Irlanda do século 12 e logo de cara vemos uma batalha: Lilith, uma rainha vampira, transforma Cian em um dos seus. Hoyt, um feiticeiro incrível, deseja vingar o irmão e eles acabam lutando e Cian cai de um precipício, mergulhando para a morte. Hoyt, desnorteado, pensando ter pedido seu irmão duas vezes e considerando-se o culpado por tudo o que aconteceu solta sua ira em forma de magia. É então que a Deusa Morrigan aparece para o feiticeiro e lhe dá conselhos e uma missão para destruir o exército de Lilith, que deseja dominar o mundo. Morrigan é realmente uma figura da mitologia irlandesa que aparenta ser uma divindade, embora não seja referida como “deusa” nos textos antigos. Ela é associada a guerra e a morte no campo de batalha.

    Hoyt deve montar um círculo com seis membros: ele mesmo, uma bruxa, um guerreiro, um sábio, aquele que adota várias formas, e aquele que perdeu. Com a ajuda da deusa, ele se despede da família, deixando todos os membros dela com uma cruz de prata forjada pela própria deusa, que protege quem a usa dos vampiros, e “parte” para a cidade que nunca dorme: Nova Iorque, nos dias atuais. Lá ele começa a reunir seu pequeno exército, começando pelo reencontro com seu irmão gêmeo, o vampiro que sobrevive através dos séculos.

    É interessante ver como a autora detalha a fala de Hoyt com palavras mais rebuscadas, ressaltando a todo momento para o leitor que ele não pertence aos nossos dias atuais. Hoyt veio diretamente do tempo em que seu irmão foi transformado para os dias de hoje, e, para ele, não houve essa diferença temporal, da qual Cian vagou pelo mundo sozinho e isso influencia diretamente na dinâmica dos dois irmãos. Para Hoyt é como se o tempo não tivesse passado, e, apesar de ter se tornado um vampiro, aquele ainda é o irmão que ele tanto ama. Mas Cian é indiferente aos laços familiares entre os dois, afinal, séculos se passaram e ele já não tem mais a mesma índole. É muito legal ver Hoyt tentando se aproximar do irmão, as tentativas, falhas e alguns isolados acertos.

    A primeira mulher a se unir ao exército deles, Glenna, é uma poderosa bruxa. Glenna tem a aparência frágil do sexo feminino, mas na verdade se revela muito mais forte do que qualquer um pode imaginar. A personagem é muito bem delineada e as referências da autora à religião Wicca são muito bem estudadas e fundamentadas (concorda Thiago?). Pra quem gosta desse tópico de Wicca e bruxaria, esse livro é super indicado. Temos também King, um humano que trabalha para Cian e que tem uma história super interessante, e temos Moira e Larkin. Ambos são primos e vêm uma terra distante e mágica chamada Geall, onde a rainha, mãe de Moira, tinha acabado de morrer. Ao invés de realizar o processo de tomada do trono, Moira é chamada por Morrigan, e ela e seu primo Larkin, que parece ser um tipo de metamorfo, se unem ao resto do exército.

    Com personalidades tão fortes e diferentes, é complicado demais para todos eles entrarem em consenso sobre qualquer assunto, do mais sério ao mais banal. É interessante ver como alguns vão cedendo – e outros nem tanto – para eles conseguirem tornar o exército em uma só unidade, pois o mundo depende disso.

    A história ganha intensidade com o evoluir dos acontecimentos e, principalmente, com o surgir de novas personagens. A interação entre todos, com as suas atribulações, cria momentos bastante interessantes e o processo de preparação para a batalha (com todas as descobertas e fracassos) serve também para revelar as diferentes personalidades e pontos de vista das várias personagens. Cada um com as suas diferenças, todos têm algo de interessante, no seu caráter individual ou na interação com os outros. E estas duas componentes conjugam-se de forma particularmente bem conseguida na personalidade de Cian: sarcástico, algo sombrio, atormentado, Cian é o elemento cuja posição inspira dúvidas nos restantes, mas é também o mais intrigante, com a sua natureza enigmática e os ocasionais grandes gestos a revelar muito de uma personalidade oculta.

    Claro que o romance não poderia faltar, mas, neste livro, é um elemento bastante secundário ao restante da ação. O que acaba por resultar bem, já que, ao desenvolver o afeto entre o casal (ainda que os outros "pares" já se comecem a evidenciar) no contexto do treino e da batalha, a história ganha um foco bastante mais interessante do que teria com o romance como foco principal.

    Fica muito em aberto na conclusão deste volume, mas é também isso que contribui para que fique a curiosidade em ver o que acontecerá nos outros livros da trilogia. Deste primeiro livro, fica a impressão final de uma história que começa de forma um pouco forçada, mas que ganha espontaneidade à medida que as personagens se tornam familiares. Cativante e agradável.

    2 comentários :

    1. Nunca li um livro dela.. mais quero muito ler!! =)

      ResponderExcluir
    2. Quando vi a capa pensei " ah não, mais vampiros" hahaha
      Gostei muito da resenha, não tinha ouvido falar deste livro e achei todo o enredo bem interessante, afinal, além de vampiros também temos bruxas! Todo o enredo parece ser ótimo e bem construído, muito legal a autora ter mantido o modo de falar do personagem do mesmo jeito do qual ele fora criado, apesar dos anos terem passado. Outro ponto positivo, para mim, é que o romance ficou em segundo plano. Isso deve garantir muitas cenas de ação.
      Pelos seus comentários no final da resenha, o desfecho deve deixar o leitor louco de ansiedade pela continuação. Parece ser uma boa leitura, bem diferente.
      beijos

      ResponderExcluir

    O seu comentário alegra o nosso dia!!!