Jogos Imortais, Annaliese Avery







A lua de sangue chegou e com ela começarão os Jogos Imortais.
Cada eclipse lunar marca o início dos Jogos Imortais: uma épica série de jogos disputados pelos deuses do Olimpo, com humanos selecionados aleatoriamente como seus Tokens. As apostas são altas; os deuses cobiçam entretenimento e glória acima de tudo, para os Tokens, é uma questão de sobrevivência.

Ara, de 17 anos, quer vingança contra os deuses por permitirem que sua irmã mais velha morresse nos jogos. Ela está determinada a ser selecionada como um Token e encontrar uma arma poderosa o suficiente para matar um deus. Mas, quando é resgatada das garras da morte por Hades, deus do submundo, as chances estão contra ela. Hades é o renegado dos deuses, e o único que nunca venceu os jogos.

Logo ele percebe que Ara não teme a morte, assim como ela não o teme; e, quando uma aposta com Zeus e Poseidon coloca o futuro de ambos em jogo, os jogos ganham um novo significado.

Jogos Imortais
Annaliese Avery
Ano: 2024 
Páginas: 240
Idioma: português
Editora: Inside Books


"Você é o sol, Ara; você é a estrela que ilumina até o submundo. Amarei você até que não reste mais estrelas no céu."

A cada eclipse, a Lua de Sangue anuncia o começo dos Jogos Imortais — um torneio cruel criado pelos deuses do Olimpo para seu divertimento. Doze deuses escolhem 12 jovens tokens que irão representá-los nos jogos, enfrentando perigos inimagináveis, onde a morte é uma possibilidade real, já que precisamos de um único vencedor. Apesar dos riscos, o ganhador que sobreviver será visto como semideus e terá um desejo seu concedido. 

🥀 Há cinco anos, Ara treina para ser escolhida para os jogos. Mas o seu desejo é apenas vingar sua irmã Estella, que foi escolhida por Zeus e deixada para morrer, levando não só sua irmã, mas destruindo toda a família por causa da dor. 

No dia da seleção, ao se colocar em perigo para evitar a morte de sua sua mãe, Ara é resgatada por Hades, que impede a sua morte e a escolhe como sua Token. Theron, seu amigo de infância com quem treinava e tem um trelelé, também é escolhido. Junto a eles, mais 10 jovens, cada um representando um signo do zodíaco, enfrentarão desafios numa vibe bem Jogos Vorazes, onde os deuses não podem ajudar diretamente, mas podem enviar presentes para facilitar a vida. Ah, sim, esqueci de dizer que Ara e Hades são do signo de Escorpião, mas nem é por isso que eu me apaixonei pelos dois e por essa história. 

Apesar de ter apenas 240 páginas, Jogos Imortais entrega muito mais do que promete. A relação entre Ara e Hades vai se tornando mais intima a cada encontro e isso acontece porque os dois vão se conhecendo e se admirando mutuamente. Dessa nova onda de livros tendo Hades como personagem, esse é o que mostra seus sentimentos. Nada de querer levar todos para o submundo, de ser sombrio e violento, Annaliese conta a história de Hades pelo seu próprio ponto de vista e mostra uma traição impensável, sua relação com as tecelãs do destino, o seu amor pelo doguinho Cérbero e um coração cheio de amor pra dar (além de um corpinho...).


Jogos Imortais é uma fantasia de leitura rápida e intensa, perfeita para quem ama mitologia grega com uma pitada de distopia, romance proibido e reviravoltas de tirar o fôlego. Prepare-se para se apaixonar, sofrer e sonhar junto com Ara e Hades e, como eu, desejar que essa história nunca termine, apesar de ser volume único.


Um toque de escuridão, Scarlett St. Clair



Neste primeiro volume da série Hades & Perséfone, a autora best-seller Scarlett St. Clair, sucesso no TikTok, transforma o mito grego em um romance moderno, sombrio e sensual.
Perséfone é a jovem e ingênua Deusa da Primavera, que não tem força suficiente para desenvolver seus poderes. Vivia numa redoma superprotegida pela mãe, a Deusa da Colheita, quando decide se mudar para Nova Atenas, onde espera traçar um novo destino para si, longe dos deuses do Olimpo e de tudo o que eles representam.

Até que, sem saber, Perséfone perde um jogo para Hades, o Senhor dos Mortos, e acaba amarrada a um contrato cujos termos são impossíveis: deve criar vida no Submundo ou será sua prisioneira para sempre. A aposta vai muito além de expor seu fracasso como deusa: tudo o que ela queria era um pouco de liberdade, mas acaba se apaixonando pelo mais perigoso entre os divinos ― e o que essa paixão tem de proibida, tem de cativante.

No primeiro volume da série Hades & Perséfone, Scarlett St. Clair revela todo o seu talento para criar romances intensos, personagens fortes e cenas ardentes, que conquistaram leitores do mundo todo.

Este livro contém: enemies to lovers, dual POV, romance proibido.

Um toque de escuridão
Ela tentou plantar a própria liberdade, mas acabou colhendo um amor proibido.
Hades & Perséfone #1
Ano: 2025 
Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Bloom Brasil


Não sei se você já percebeu mas parece que o universo literário entrou numa vibe 'vamos falar sobre Hades'. E Scarlett St. Clair trouxe a sua versão Hades em Um toque de escuridão, livro 1 da série Hades e Perséfone, que conta com 5 livros: 3 já lançados pela Bloom Brasil que promete lançar os dois que faltam ainda esse ano.

Aqui, Perséfone é uma mocinha frágil e ingênua, deusa da primavera que, diferente do que todos esperam, ainda não consegue manifestar os seus poderes. Mesmo assim decide, sair do Olimpo e viver em Nova Atenas para dar algum sentido à sua vida e escapar da superproteção de sua mãe, Deméter, a deusa da colheita.

Levando uma vida comum como estagiária de um jornal, tudo se transforma na noite em que ela vai ao cassino de Hades e perde um jogo pra ele. Seguindo a tradição e os termos de Hades, ela assina um contrato com ele que determina que ela, como deusa da primavera, deve criar vida no submundo ou estará presa a ela por toda a eternidade.

A aproximação dos dois faz com que eles se conheçam e, inevitavelmente, acabem se apaixonando. Para piorar, Perséfone está apaixonada pelo deus que sua mãe mais odeia e parece que só fugiu de uma prisão para cair em outra. 

Parece que os autores descobriram que eu sempre fui fã de Hades e resolveram me presentear. O Hades da Scarlett é sim um cara sombrio, sisudo, misterioso, mas também sensual, agradável, inteligente e um verdadeiro lord. Eu te entendo, Perséfone!!! Tensão, mitologia, romance dark e reflexões sobre escolhas, limites, liberdade feminina e empoderamento fazem parte da história. O romance entre os dois pega fogo sim, mas não é só isso, os diálogos mostram um romance que cresce para além das cenas hots e desafia o Olimpo. Tenho certeza que ainda teremos mujito fogo pra queimar nos próximos quatro livros.

E você, gosta de mitologia? Simpatiza com Hades e com o romance com Perséfone? Me conta aqui se você acha que esse romance tem futuro.



A Arte de Correr na Chuva, Garth Stein



Enzo sabe que é diferente dos outros cachorros - um filósofo com alma humana. Ele foi educado assistindo aos programas do canal National Geographic e ouvindo todos os conselhos de seu mestre e dono, Denny Swift, um piloto de corridas. Por causa de Denny, Enzo adquiriu uma grande percepção da condição humana e aprendeu a administrar a vida como em uma corrida de Fórmula 1, onde nem sempre a velocidade é a melhor estratégia. Às vésperas de sua morte, Enzo faz uma retrospectiva de sua vida, relembrando tudo o que ele e a família passaram - os sacrifícios que Denny fez para ser bem-sucedido profissionalmente; a perda inesperada de Eve, a esposa de Denny; a batalha do dono para conseguir a guarda da filha, a quem os avós maternos fizeram de tudo para conseguir a custódia... 'A Arte de Correr na Chuva' é um livro modelado nos desejos e absurdos da vida humana.


A Arte de Correr na Chuva
Ano: 2008 
Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Ediouro


Sim, vai ter livro com cachorro!

E dessa vez, quem nos conta a história é ele mesmo: Enzo, um cão muito especial. Especial porque, diferente da maioria, Enzo sabe que nasceu no corpo errado. Ele sente que deveria ser humano — e faz de tudo para se preparar para isso.

Enzo é o narrador dessa história inesquecível, escrita por Garth Stein, que também é produtor de cinema, escritor e… piloto de corridas! E isso faz todo o sentido: Enzo é simplesmente apaixonado por automobilismo. Seu ídolo? Ayrton Senna, do Brasil! 💛💚 É da habilidade de Senna em correr na chuva que vem o título do livro.

No começo do livro, Enzo já está velhinho, quase sem forças, e é a partir desse ponto que ele decide relembrar sua trajetória com Denny, seu tutor e melhor amigo.

Criado assistindo à TV enquanto Denny trabalhava, Enzo se tornou um verdadeiro observador do comportamento humano. Ama documentários, é fã de corridas e, num deles, descobre que na Mongólia se acredita que os cães podem reencarnar como humanos. Desde então, esse se torna o grande objetivo de sua vida: absorver tudo, entender tudo, para que um dia ele possa voltar como gente.

Quando Denny se casa com Eve, Enzo precisa aprender a dividir o afeto. Depois, chega Zoe — a quem ele logo se torna protetor fiel e melhor amigo. Mas a vida não é fácil: Denny enfrentará dificuldades na carreira, doenças, perdas e uma batalha judicial dolorosa pela guarda da filha. E Enzo estará ao lado dele em todas as curvas dessa jornada.

Enzo é quase humano: tem senso de humor, paladar exigente, é crítico, perspicaz, observador. Mas, acima de tudo, é leal. Seu amor por Denny é incondicional. E sua presença, constante — mesmo quando tudo parece ruir.

A grande lição desse livro? Que devemos prestar atenção nos detalhes: olhares, sorrisos, silêncios, pequenas nuances que dizem mais do que palavras. Enzo nos ensina que, às vezes, basta observar com o coração.

📚 A Arte de Correr na Chuva é emocionante, sensível, filosófico, engraçado e, sim... você vai chorar. Mas vai terminar com o coração aquecido — e com vontade de ser uma pessoa (ou um cachorro!) melhor.

Mas olha... sou suspeita pra falar, né? Então leia você mesmo e depois me conta o que achou.



" Lembrei! O documentário dizia que, depois que o cachorro morre, sua alma é libertada para o mundo que nos cerca. Sua alma é libertada para correr o mundo, correr pelos campos, aproveitar a terra, o vento, os rios, a chuva, o sol, o...
Quando um cachorro morre, sua alma é libertada para correr até que esteja pronto para renascer. Eu lembro.
- Tudo bem. Quando eu renascer como homem, vou encontrar Denny..."

"Sempre me senti quase humano. Sempre soube que havia algo em relação a mim que era diferente dos outros cachorros. Certo, estou preso no corpo de um cachorro, mas trata-se apenas da carcaça. O que está dentro é que é importante. A alma. E a minha alma é muito humana.”

" - A verdade está dentro de cada um de nós; a verdade absoluta. Mas às vezes a verdade se esconde em uma sala de espelhos."

“Existem tantas coisas que são ditas sem uma palavra. Existem tantas coisas que são ditas com olhares, gestos e sons. As pessoas ignoram a enorme complexidade dos próprios meios de comunicação. ”


“…Quanto a mim, fui encontrando formas de contornar a loucura. Treino minha maneira humana de andar, por exemplo. Treino a mastigação lenta da comida, como fazem os humanos. Estudo os programas da televisão para descobrir dicas sobre comportamento e para aprender a reagir em determinadas situações. Na minha próxima vida, quando eu nascer de novo como pessoa, serei praticamente um adulto no momento em que sair do útero, por causa de toda a minha preparação…”


" Viver cada dia como se tivesse sido roubado da morte, é assim que eu gostaria de viver. Sentir a alegria de viver, como Eve sentia. Afastar as aflições, os temores, as angústias que enfrentamos todos os dias. Dizer 'Estou vivo', 'Sou maravilhoso', 'Eu sou'. Eu sou. Isso é algo a que devemos aspirar. Quando for uma pessoa, é assim que vou querer viver a vida."

Crenshaw, K. A. Applegate



São tempos difíceis para Jackson e sua família. O dinheiro para o aluguel acabou. E talvez não sobre nada para as compras do mês. Mais uma vez, seus pais, sua irmã e sua cachorrinha terão de deixar o prédio onde moram para viver em uma minivan.

Mas, pior do que a falta de dinheiro e as incertezas com relação ao futuro, é a mania dos pais de Jackson de tentarem encobrir os problemas. O garoto é jovem demais para entender a situação, é o que eles pensam. Na verdade, é o que todos pensam.
Todos, exceto Crenshaw.

Crenshaw é um gato… um gato gigante e imaginário. E é ele quem vai ajudar Jackson a encarar de frente a dura realidade. No início, o menino tenta rejeitá-lo como um mero produto de sua imaginação, afinal, quem aos dez anos ainda é capaz de ter amigos imaginários? Mas a sinceridade e a sabedoria do gato começam a ecoar em sua vida.

Ninguém precisa carregar o peso do mundo sobre os ombros, Jackson menos ainda. E o sarcástico Crenshaw é o companheiro que ele realmente precisa. Alguém imaginário o suficiente para lhe dizer algumas verdades.

Com uma narrativa elegante e comovente, Katherine Applegate trata com delicadeza de temas difíceis, como a pobreza e a fome.


Crenshaw
A fome da imaginação
Ano: 2016 
Páginas: 224
Idioma: português
Editora: Plataforma21

Pensem em um livro fofo. Fofo mesmo! Muito fofo! Fofíneo! Mas também cheio de mensagens nas entrelinhas. Esse é Crenshaw.

Sabe quando você começa a ler um infanto juvenil achando que vai ser pra dar risada e se divertir e leva uma puxada de tapete? Isso é o que a Katherine Applegate faz com você ao longo dessa história.

Se você já leu o Pequeno Príncipe em várias épocas da sua vida e se deparou com mensagens diferentes em cada uma delas, te garanto que esse livro fará o mesmo com você.

“Às vezes eu só queria ser tratado como um adulto. Queria ouvir a verdade, mesmo que não fosse uma verdade feliz. Eu entendia as coisas. Sabia bem mais do que eles pensavam.”

A história é contada por Jackson, garotinho que está vivendo um dilema ou uma aventura, dependendo do seu ponto de vista: ele, sua irmã, sua cachorra Aretha e seus pais talvez tenham que deixar a casa em que moram para morar em uma minivan, pois a situação financeira da família não está nada boa...

“A fome pode fazer a gente se sentir bem estranho. Até meio maluco.Comi minha primeira jujuba devagar e com cuidado. Se a gente dá mordidas pequenas, a comida dura mais.”

Como se não bastassem as suas preocupações, Jackson começa a ver novamente o seu amigo imaginário, um gato gigante e desajeitado chamado Crenshaw, que tem o objetivo de ajudar Jackson a ir pelo caminho certo, não fazer besteiras e inquieta-lo nas horas cruciais.

“A gente tinha parado numa mercearia porque Robin tinha que ir ao banheiro. Ela queria alguma coisa pra comer, mas minha mãe disse pra esperar até mais tarde...Então eu vi a papinha de bebê. Enfiei dois potes de sabor frango arroz nos bolsos. E foi rápido e fácil...Mas a verdade era esta: eu me sentia mal por ter roubado. Mas me sentia ainda pior por causa da mentira.Se você gosta de fatos como eu, tente mentir uma hora dessas, Vai ficar surpreso com como é difícil.”


Mas Jackson não fica muito feliz com o retorno de Crenshaw... Ele se acha grande o suficiente para tirar de letra todos os acontecimentos terríveis por que está passando.

“O negócio é o seguinte: eu não sou o tipo de cara que tem amigos imaginários.Sério. Neste semestre começo o quinto ano. Na minha idade, não é bom ter fama de louco.Eu gosto de fatos. Sempre gostei. Coisas verdadeiras. Fatos como dois-mais-dois-igual-a-quatro. Fatos como espinafre-tem-gosto-de-meias-de-ginástica-sujas.”

Apaixonado por fatos, ele acredita que para tudo existe uma explicação e a presença de um amigo imaginário não é lógica nesse momento. Principalmente por que Crenshaw esteve ausente da sua vida por muitos anos, Jackson cresceu e já sabe que amigos imaginários são apenas isso: frutos da nossa imaginação. Então por que ele voltou???

“Amigos imaginários são como livros – Somos criados, somos desfrutados, somo dobrados e amassados, e então somos guardados até que precisem de nós mais uma vez.“

A presença de Crenshaw é o faz Jackson viver esse momento de incertezas. Engraçado, genioso, temperamental, e muito esperto. Ele será a proteção de Jackson nos momentos mais difíceis... a vida na minivan, as apresentações nos sinais em busca de dinheiro, o novo apartamento e a amizade com Marisol.

“ Eu não sabia como contar para Marisol por que estávamos indo embora...Eu decidi inventar uma história sobre um parente doente e que a gente tinha que cuidar dele, e que tudo aconteceu bem de repente. Mas assim que comecei a falar, Crenshaw se inclinou e sussurrou na minha orelha:- A verdade, Jackson...E então contei tudo para ela. Contei sobre como eu estava preocupado e como a gente passava fome às vezes e como eu estava com medo do que ia acontecer.”

Numa escrita leve e de fácil compreensão, a autora trata de assuntos tão delicados para uma criança de maneira leve e poética, nos mostrando que todos precisam de imaginação, desse lugar fantástico onde tudo é possível. Nem que seja como um refúgio para aliviar as nossas dores...


Flying witch, Chihiro Ishizuka


Escrito e desenhado por Chihiro Ishuzuka, The Flying Witch nos apresenta a jovem bruxa Makoto Kowata. Ao completar 15 anos, ela deve deixar a cidade grande e ir morar com parentes no interior para desenvolver seus poderes e assim completar o seu treinamento. Acompanhada de seu gatinho Chito, Makoto terá que se adaptar à vida interiorana, à sua nova escola, aos seus novos amigos e descobrir que existe magia até mesmo nas pequenas coisas. The Flying Witch traz uma história reconfortante indicada para toda a família.

Flying Witch
Flying Witch #1
Ano: 2023 
Páginas: 168
Idioma: português
Editora: JBC


Makoto Kowata é uma bruxa profissional que, ao completar 15 anos (maioridade no mundo das bruxas), deve partir para longe da proteção da família para viver suas próprias experiências. Sem ir muito longe, Makoto vai passar um tempo na casa dos primos Kei e Chinatsu Kuramoto numa bucólica cidadezinha do interior e se apaixona pelo local. Lá ela começa a fazer amigos e a se perder menos, já que o seu senso de direção é quase inexistente (o que provoca cenas realmente hilárias). 

Esse é um resumo do que Flying Witch pode proporcionar para o leitor. Nada de grandes batalhas entre bruxas e humanos ou outros seres mágicos, nada de fazer poções para o mal e muito menos esconder a sua verdadeira identidade. Aqui Makoto não precisa esconder quem é e todos lidam muito bem com o fato de ela ser uma bruxa, tornando a magia e suas habilidades algo natural e parte do cotidiano de todos do vilarejo, o que faz com que eventos mágicos passem totalmente despercebidos por não serem vistos como algo extraordinário. 

Então qual é a parte legal de ser bruxa e não ser vista de forma diferente pelos outros? Exatamente essa! Makoto é uma adolescente normal, com o único diferencial que é ser bruxa, que poderia ser o fato de tocar piano muito bem ou ser uma atleta de natação, e nada disso mudaria o fato de ser uma adolescente normal. Uma história para mostrar que o diferente não é estranho e, se você olhar várias vezes, passa a fazer parte do seu dia. 


Bruxas Literárias, Taisia Kitaiskaia e Katy Horan

 

 Se toda mulher é bruxa, o que dizer das mulheres que usaram uma dose extra de magia para tecer enredos imortais, conjurar personagens inesquecíveis e plantar poemas exuberantes como árvores frondosas?


Partindo desta premissa, a autora Taisia Kitaiskaia e a ilustradora Katy Horan reuniram um coven e tanto em Bruxas Literárias, convocando autoras como Mary Shelley e Agatha Christie, passando por Safo, Emily Dickinson, Toni Morrison, Virginia Woolf, Audre Lorde, Emily Brontë e Octavia Butler. Vindas de diferentes países, culturas e épocas, estas e outras bruxas literárias formaram um círculo em DarkLove, convocando todos a lhe darem as mãos em uma celebração da força e do poder das mulheres através dos tempos.


Com a chinesa Eileen Chang, acendemos uma vela para os amores naufragados. A iraniana Forugh Farrokhzad nos desafia a provar a poção mágica das novas paixões. A argentina Alejandra Pizarnik nos mostra como transitar entre os fantasmas da memória. As palavras encantadas da poeta hindu Mirabai carregam nossos anseios como fumaça de incenso e a japonesa Yumiko Kurahashi nos ensina a abraçar a mulher selvagem que mora em todos nós.


Reunindo trinta autoras de todos os cantos do mundo, Bruxas Literárias recria essas escritoras como as feiticeiras das palavras que elas são: mulheres ousadas, de criatividade e originalidade ímpares. Cada perfil é apresentado com três instâncias imaginativas das autoras, seguidas por breve biografia e sugestões de leitura.


Para a edição brasileira, a DarkSide® Books apresenta uma galeria especialíssima, com três bruxas literárias nacionais: Carolina de Jesus, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles. Recriadas com as ilustrações fascinantes e enigmáticas de Gabee Brandão, a tríade brasileira ganha vida eterna nas páginas deste livro encantador e enfeitiçado. Com texto lírico e valente, afinado com a alma DarkLove, Bruxas Literárias abrasa nossa chama interior com um livro-oráculo que nos guia à nossa essência mágica.


Bruxas Literárias

Alquimia das Palavras

Taisia Kitaiskaia e Katy Horan

Ano: 2021 

Páginas: 144

Idioma: português

Editora: DarkSide®Books


O novo selo Magicae da DarkSide estreou em grande estilo, buscando trazer temas sobrenaturais e sobre a magia que está em nós, o lançamento que marca essa estreia é Bruxas Literárias, Alquimia das Palavras. 


Segundo as autoras, bruxa literária são todas as mulheres escritoras que tem uma magia especial, são agentes da mudança, conjuram mundos a partir de palavras, criam coisas e tem o dom da transformação. 


Bruxas literárias nos apresenta 30 mulheres escritoras de língua estrangeira que deixaram seus nomes na história da literatura e da humanidade. Mulheres que marcaram época e cujo legado permanece até hoje como Sylvia Plath, Toni Morrison, Emily Dickinson e Mary Shelley são recriadas em belíssimas ilustrações e apresentadas através de pequenos textos mágicos e criativos, mostrando o poder particular de cada uma, além de uma pequena biografia e sugestão de obras autorais. À edição brasileira somam-se as nosas bruxas literárias Carolina de Jesus, Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector acrescentadas à edição brasileira.  


Um livro que não requer uma leitura contínua e você pode escolher aleatoriamente qual bruxa quer conhecer primeiro. Uma edição rica em informações e beleza, dignas de colecionador e com o peso de um livro cheio de magia. 


Bruxas Literárias é uma oportunidade de conhecer, enaltecer e reverenciar mulheres poderosas em sua essência, que tiveram coragem de subverter o sistema, enfrentar o preconceito e usar o seu poder para nos oferecer um mundo melhor. 

Amêndoas, Won-pyung Sohn



Yunjae nasceu com uma condição neurológica chamada alexitimia, ou a incapacidade de identificar e expressar sentimentos, como medo, tristeza, desejo ou raiva. Ele não tem amigos ― as duas estruturas em forma de amêndoas localizadas no fundo de seu cérebro causaram isso ―, mas a mãe e a avó lhe proporcionam uma vida segura e tranquila. O pequeno apartamento em que moram, acima do sebo da mãe, é decorado com cartazes coloridos com lembretes de quando sorrir, quando agradecer e quando demonstrar preocupação.

Então, no seu décimo sexto aniversário, véspera de Natal, tudo muda. Um ato chocante de violência destrói tudo que Yunjae conhece, deixando-o sozinho. Lutando para lidar com a perda, o garoto se isola no silêncio, até a chegada do problemático colega de escola Gon.

Conforme começa a se abrir para novas pessoas, algo se modifica lentamente dentro dele. Quando suas novas amizades passam a apresentar níveis de complexidade, Yunjae precisará aprender a lidar com um mundo que não compreende e até se colocar em risco para sair de sua zona de conforto.

Amêndoas
Ano: 2023 
Páginas: 288
Idioma: português
Editora: Rocco

Se muitas vezes já é difícil entender as nossas emoções e as das pessoas ao nosso redor, imagina quando você nasce com alexitimia, um traço de personalidade que impede a pessoa de identificar, reconhecer e expressar emoções. Isso sem falar da dificuldade de entender frases irônicas, de duplo sentido ou sarcásticas. 

Yunjae tem alexitimia. Criado pela mãe e pela avô, elas fazem o possível para 'ensinar' sobre emoções, seja recriando alguns possíveis diálogos ou com cartazes que lembram como ele deve reagir em algumas situações. 

Apesar de algumas situações constrangedoras, a vida de Yunjae seguia dentro de uma certa normalidade. Mas o destino gosta de bagunçar, né? E na comemoração do aniversário de 16 anos de Yunjae, sua mãe e sua avô são brutalmente assassinadas na sua frente. Agora ele terá que continuar sem sua rede de apoio. 

O livro segue mostrando experiências e novas relações de Yunjae, mas tudo pelo sua ótica, o que faz com que o leitor entenda como o mundo e as emoções funcionam pra ele. Por vezes você pode se pegar achando a narrativa crua e insensível, e é aí que você percebe como a alexitimia funciona na cabeça do garoto. Devo ressaltar que Yunjae teve a sorte de encontrar boas pessoas em seu caminho como o Dr. Shimm, melhor amiga de sua mãe que o ajuda financeira e emocionalmente: Gon, seu primeiro amigo controverso e conturbado; e Dora... que lhe ensina sobre o amaor.

Amêndoas é um livro denso e sensível ao mesmo tempo, que te leva a questionar a forma como julgamos e tratamos as pessoas que sequer conhecemos; mostra o quanto é importante ser claro quando você quer transmitir um pensamento ou emoção; mas que deixa o seu coração quentinho por ter a certeza de que a amizade ainda pode salvar as pessoas de qualquer coisa e em qualquer contexto.


" Livros me levavam a lugares a que nunca poderia ir de outra maneira. Compartilhavam confissões de pessoas que eu nunca conheceria e vidas que jamais presenciaria. As emoções que não conseguia sentir e as experiências pelas quais não passara podiam ser todas encontradas naqueles volumes. "


" Pegando emprestada a descrição de Vovó, uma livraria é um lugar densamente populado por dezenas de milhares de autores, mortos ou vivos, morando lado a lado. Mas livros são silenciosos. Eles permanecem em silêncio até que alguém folheie uma página. Somente aí deságuam suas histórias, calma e completamente, sem nunca ir além do que eu posso aguentar por vez. "


" Humanos são feitos para seguir em frente e continuar vivendo, afinal de contas. "


" Me lembro daqueles dias em que eu passeava com Mamãe e ela agarrava minha mão. Ela nunca me soltava. Às vezes, me apertava tão forte que doía, e quando eu tentava me soltar, ela me encarava e me dizia para segurar firme. Dizia que famílias andavam de mãos dadas. Vovó segurava minha outra mão. Eu nunca fui abandonado por ninguém. Mesmo que meu cérebro fosse uma bagunça, o que mantinha minha alma inteira era o calor das mãos segurando as minhas, dos dois lados. "




"— O que “amor” significa? — perguntou Mamãe, maliciosa.

— Descobrir a beleza."


" — Crescer significa mudar?

— Provavelmente. Para melhor ou para pior — respondeu ele. "

A gigantesca barba do mal



Na ilha de Aqui tudo é meticulosamente organizado e certinho. As ruas são asseadas, a grama é bem aparada e os homens são rigorosamente barbeados. Dave não foge à regra. Tem um emprego que lhe permite pôr em prática todo o seu senso de organização, bem como distrair a mente de pensamentos indesejáveis, e encontra paz numa rotina totalmente ordeira.

Num dia fatídico, porém, Dave se vê como a raiz de um gigantesco problema: uma barba que irrompe de seus poros e desafia a lógica e a ciência. Logo ela se tornará uma questão de segurança pública e irá abalar as estruturas de Aqui, figurativa e literalmente. Uma fábula arrojada, que faz lembrar Roald Dahl e convida a refletir sobre algumas das questões humanas deste século.


A gigantesca barba do mal
Stephen Collins
Ano: 2016  
Páginas: 240
Idioma: português
Editora: Nemo

Dave é um cidadão comum de Aqui, uma ilha onde tudo é meticulosamente organizado e racional. Os moradores vivem uma rotina rígida, e qualquer coisa que fuja disso é evitado. Do outro lado do mar está Lá, um lugar misterioso e temido, representando o desconhecido e tudo aquilo que foge do controle.


Mas um evento inusitado muda a vida de Dave: um único pelo em seu rosto começa a crescer sem parar, transformando-se em uma barba incontrolável. Dave perde o emprego, sofre preconceito e sua condição se torna um problema de interesse público. O governo, alarmado, busca maneiras de lidar com essa ameaça.


Assim Stephen Collins utiliza a barba de Dave para falar de temas como o medo do desconhecido e a rejeição ao que é diferente, afinal ela simboliza a transgressão, a quebra com o padrão imposto pela sociedade. O autor faz uma crítica sutil e bem-humorada à forma como lidamos com mudanças e como algo inicialmente visto como anormal pode, com o tempo, ser absorvido e até mesmo transformado em tendência.


Além da narrativa cativante, o visual da HQ reforça sua mensagem. A arte toda em preto e branco transmite a rigidez de Aqui. 


Outro detalhe interessante é a obsessão de Dave pela música "Eternal Flame", da banda The Bangles. A melodia e a letra dialogam com o enredo, reforçando a dualidade entre estabilidade e mudança.


Com uma trama instigante e cheia de metáforas sobre a sociedade, "A Gigantesca Barba do Mal" é uma leitura imperdível para quem gosta de histórias que fazem refletir. Uma HQ que, sem dúvidas, merece ser lida mais de uma vez!