Número de Páginas: 288
Tradutor: Simone Reisner
Editora: Arqueiro
Sinopse
Zack
é o mais velho dos três filhos da família King, despedaçada quando o pai, o
excêntrico e irresponsável Norm, sumiu da vida de todos. Durante os anos
seguintes, Zack moldou sua personalidade para que jamais se parecesse com ele.
Assim, se tornou um homem pacato e conservador. Ele tinha consciência de que se
acomodara a uma situação conveniente: morava de favor na casa de um amigo rico,
tinha um emprego medíocre, mas estável e estava noivo de uma mulher por quem
não era apaixonado. Apesar disso, sentia-se relativamente feliz com sua vida.
Certo dia, Zack encontra sangue em sua urina e, após realizar alguns exames,
passa a suspeitar de que sofre de câncer. Atordoado com a possibilidade da
morte iminente e assustado com o casamento que se aproxima, ele começa a
questionar suas escolhas e a perceber a fragilidade daquela vida falsamente
estruturada. Para complicar ainda mais a situação, sua relação com Tamara –
viúva de seu melhor amigo – adquire uma proximidade perigosa. A atração entre
os dois é irresistível e, ao mesmo tempo, proibida. Sua confusão emocional
atinge o auge quando Norm reaparece, disposto a fazer qualquer loucura para
conquistar o perdão da família. Enfrentando tantos problemas ao mesmo tempo,
Zack perde o controle de suas emoções pela primeira vez. Ele precisa lidar com
a possibilidade de ter uma doença fatal, o medo de magoar Hope, a paixão
platônica por Tamara, a sensação de fracasso profissional e os sentimentos
conflitantes em relação ao pai e a si mesmo. Com muito humor e sensibilidade,
Jonathan Tropper conta uma história de amor, traição, perdão, recomeço e a
chance de se criar uma vida nova em meio ao caos.
Essa
é uma daquelas sinopses que te deixa sem muito a declarar sem oferecer spoilers
aos leitores, mas vamos lá.
“O
futuro é incerto de uma forma ao mesmo tempo assustadora e maravilhosa...”
“Tudo
Pode Mudar” conta a história de Zack, Zachary King, 32 anos e com a vida
aparentemente a seu favor, sem grandes emoções e meticulosamente controlada. Não
gosta do seu trabalho mas ele lhe garante um salário fixo e certa estabilidade;
é noivo de uma mulher fantástica que ele não ama, mas lhe proporciona um
relacionamento estável; mora no apartamento de luxo de um amigo rico, o que lhe
confere um endereço de status e um carro chique quase sempre à sua disposição.
O que lhe falta???
Zack
descobre que ‘Tudo Pode Mudar’ quando, numa manhã, ele encontra sangue em sua
urina. O seu médico aconselha uma investigação mais profunda do problema.
Acreditando ter um câncer, Zack passa a reavaliar toda a sua vida dando-se
conta o quanto ele deixou para trás, o quanto ele deixou de viver em nome da
estabilidade.
Durante
esse crise existencial, Hope, sua noiva, viaja a trabalho, o que faz com que
Zack se aproxime muito de Tâmara, a viúva do seu melhor amigo, o que faz vir à
tona um amor reprimido a muito tempo. Ah, e como se a vida de Zack já não
estivesse tumultuada o suficiente, Norm, seu pai, reaparece 20 anos depois que
se separou de sua mãe após se flagrado na cama do casal com outra mulher, tentando
recuperar o tempo perdido.
“Se
eu pudesse dizer a verdade, diria que estou procurando defeitos. Porque é isso
que você faz quando está apaixonado por alguém por quem não quer se apaixonar.”
Ponto
para a delicadeza como o autor trata de temas tão delicados como traição, medo,
solidão, rejeição, exclusão e inclusão.
Os
personagens são bem construídos e cada um deles tem um papel de peso dentro da
história, difícil eleger um coadjuvante. Apesar disso não simpatizei muito com
o Norm e o seu problema com o Viagra, que o faz estar sempre tendo uma ereção
nas horas mais inapropriadas, achei desnecessário e nada engraçado.
Descobri
que o livro é considerado um lad lit, versão masculina do chick-lit, livros com
narradores homens, na maioria escrito por homens e que trazem pensamentos e
comportamento dos homens.
“Eu
diria... Que estou tão apaixonado por ela que não posso respirar e que isso se
transformou na única cor em meu universo, um vermelho sangue, deixando todo o
resto, objetos e pessoas, em preto e branco, e que eu não quero viver em preto
e branco...
Falaria
para ela que a amo do fundo da minha alma, que ela responde a anseios que eu
nem sabia que existiam em mim.”
É
um livro que te leva das lágrimas ao riso em poucas páginas. Um livro que fala
sobre a coragem de recomeçar, mesmo que não seja fácil, de arriscar trocar todo
um sistema de coisas e sentimentos estáveis e arrumadinhos pelo sabor da vida
real e cheia de surpresas.
Jonathan
Tropper, autor de “Tudo Pode Mudar”, lançado no Brasil pela editora Arqueiro,
já escreveu outros cinco romances, entre eles Como falar com um viúvo e Plano
B. Eu, que não havia lido nada do autor ainda, fiquei completamente encantada e
surpresa com a narrativa de Tropper, que, além de emocionar sutilmente, é
também extremamente irreverente e inteligente.








