Autor: Julien De Lucca
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 368
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-8062-008-5
Sinopse
O
que pode acontecer quando Morte e Destino brincam com o sentimento mais
perigoso? Ahmnat é uma garota egípcia que, após uma vida cheia de turbulências,
tristezas e mágoas, assume o cargo de Morte e passa a viver entre este mundo e
o além-vida. Porém, ela não está sozinha. Logo conhece Destino, responsável por
escrever as vidas mortais, que fica surpreso e abismado ao vê-la no lugar de
poderosa entidade. Destino propõe, então, um sádico jogo a Ahmnat: criará dez
vidas mortais, humanos bem especiais, para tentar fazê-la se apaixonar por
eles. Se Ahmnat se apaixonar por qualquer um, ela volta para a Terra como
mortal novamente, dando a oportunidade de Destino reescrever sua vida. Caso
contrário, será Destino quem se tornará mortal, permitindo que Morte venha buscá-lo
pessoalmente.
De cara fiquei completamente
apaixonada pela sinopse do livro. E
surpresa por saber que cada vez mais escritores brasileiros se rendem à
literatura fantástica! E Ahmnat é um verdadeiro presente para quem gosta do
gênero.
A capa é realmente linda e
já vai alimentando a imaginação do leitor em relação ao que ele vai encontrar
na história, com acabamento fosco e verniz prateado no título da capa e na
borda, a diagramação é simples e ao início de cada capítulo vem uma folha
inteira preta; as páginas tem uma gramatura maior e com isso são um pouco mais
grossas, o que faz o livro parecer imenso.
A história começa no Egito
Antigo com a jovem Ahmnat, que depois de uma vida sofrida e da morte trágica
que teve, pede e ganha o posto de Morte com o intuito de poder se vingar de
todos que a fizeram sofrer em vida. Mas toda a história irá se desenrolar a
partir de uma aposta com o Destino. Ahmnat é hora cruel, ora
doce, mas não tem como não torcer por ela. Uma mulher forte que sofreu
horrores, mas resolveu encarar a vida de frente.
"Ouvi
os gritos de todas as pessoas em meio às chamas que faziam sucumbir seu corpos
frágeis. Seu frágeis corpos mortais. Casas, ruas, habitantes de uma civilização
poderosa, agora incineravam a meu favor. Queimem desgraçados! Gritem por suas
vidas! Sejam vocês os primeiros a sentir meu poder, a ajoelhar em dor diante de
mim.'
Na história, o destino dos
seres humanos é escrito por Destino, uma entidade milenar. Mas Destino é um garoto
mimado que gosta de brincar com as vidas humanas. Ele se revolta contra Ahmnat,
pois ela frustra o que ele escreveu para a sua vida tornando-se Morte, pois
esse não era o seu destino. Sendo assim, ele vai tentar reescrever a vida de
Ahmnat, mesmo que seja necessário trapacear.
Do Egito antigo até os dias
de hoje, a história é, por vezes, contada pela própria Ahmnat a uma segunda
pessoa, o único amor de sua vida, que ela não se permitiu destruir.
"Como
lhe falei, o amor é uma doença que já existe em você. Existe em todos nós.
Quando chegar a hora, ele acontecerá, e você não terá como impedi-lo. É como a
morte. Está em todos nós. Quando chegada a hora, ela acontece, fria,
inevitável."
O interessante da história é
a mudança constante do seu rumo: o que é certeza em uma página, na página
seguinte já não existe mais, e o que foi negado no capítulo anterior será
confirmado no capítulo seguinte. Cada detalhe tem papel importantíssimo para o
rumo que a história vai tomar.
O que me deixou um pouco
incomodada foi o fato de que o autor baseia a sua narrativa em uma visão cristã
para narrar a história, pregando a existência de um único Deus, falando de
Jesus, dando motivos para Judas, explicando Céu e Inferno, e influenciado a
postura de todos os personagens e nos levando a acreditar que nada é o que
parece ser. Apesar disso, Julien tem uma escrita segura, que dá credibilidade à
história. Escritor brasileiro de qualidade, que escreveu um romance
internacional, sem regionalismo, e que não deve nada aos romances fantásticos
da atualidade.
“Não
tenho intenção de decepcioná-la, porém só há um Deus. Aquele que fez o mundo,
que teceu o céu e modelou os homens.”
Ponto positivo para os fatos
históricos relatados e justificados pela ótica do autor ao longo da história
"Não
me entenda mal, mas acho que insistir no mesmo erro é a forma mais ignorante de
masoquismo."
Ahmnat não me conquistou por completo, apesar da história
ser bastante inusitada. Mas, indiscutivelmente, é um livro que merece sim ser
lido, e com bastante atenção. Se lerei sua continuação? Claro!!! Quero saber
como tudo vai acabar, se é que tudo um dia acaba...
Julien De Lucca é formado em Propaganda & Marketing,
com especialização em Direção de Arte, mas os livros sempre estiveram presentes
em sua vida. Filho de escritora e irmão de ilustradora, desde cedo adorava
jogar com as palavras e seus sentidos. Começou escrevendo poesias ainda no
ensino fundamental e criava histórias inspiradas nos colegas da escola.
Palavras do autor:
“Pode
parecer bem esquisito mas eu sonhei com ela. Sim, ela mesma, dona Morte. Ela
conversava comigo calmamente, discutindo sei lá o quê (afinal foi um sonho e
faz muito tempo) e no final deste episódio ela me disse “não sabe sobre o que
escrever? Escreva sobre mim!” e eu respondi “Sobre você? Mas eu nem sei seu
nome!” e ela sorriu e disse “Meu nome é Ahmnat.” Assim nasceu minha primeira e
querida personagem. Mas eu demorei bastante para apresentá-la ao público. Nove
anos para ser exato. Fui escrevendo de pouquinho, me sentindo cada vez mais
confortável em transformar uma idéia gigante em texto e passar cada detalhe,
cada emoção, cada pedacinho dela para um bloco imenso de palavras. Um dia, ele
ficou pronto. E a sensação foi fantástica. Vê-lo encapado, em formato de livro
mesmo, lindo, pronto. Amei aquela sensação e já comecei a pensar no segundo.
Escrevi “A Mãe de Todos os Pecados” em quatro meses. E a partir de então
percebi que eu nunca mais vou parar. Contar histórias é algo que está dentro de
mim, uma paixão inerente que eu preciso por para fora.”
Extraído
de: http://www.jdelucca.com.br/main/?page_id=2








