Do Super-Homem aos Vingadores à evolução das lendas dos quadrinhos. A primeira aparição do Super-Homem em 1938 foi um momento sísmico na cultura pop mundial. Desde então, centenas de super-heróis foram criados, desconstruídos e reinventados para novas gerações de fãs de revistas em quadrinhos, especialmente os ícones da DC, Batman e Mulher-Maravilha, e os X-Men e Vingadores, do Universo Marvel.
Você sabia que o Capitão América surgiu socando Adolph Hitler em sua revista de estreia? Que vários elementos da mitologia do Super-Homem, como a kriptonita — seu ponto fraco — e o amigo Jimmy Olsen, vieram do seriado de rádio e só depois foram incorporados aos gibis? Que a famosa minissérie Guerras Secretas, da Marvel, foi criada por encomenda para lançar uma linha de brinquedos e que foi publicada no Brasil completamente adulterada e mutilada? Esses e outros segredos guardados a sete chaves pelos personagens das HQs estão em A Identidade Secreta dos Super-Heróis. Nesta ampla e fascinante exploração do fenômeno dos heróis dos quadrinhos, Brian J. Robb mapeia a ascensão dos super-heróis americanos, do auge inicial na era da Grande Depressão em gibis descartáveis ao renascimento brilhante nos blockbusters mais populares do cinema do século XXI.
A história e as origens dos maiores sucessos das HQ'S: Do Super-Homem aos Vingadores
Brian J. Robb
Ano: 2017
Ano: 2017
Páginas: 304
Editora: Valentina
Editora: Valentina
A
Identidade Secreta dos Super-heróis é um livro para todas as pessoas, é um livro
para os fãs dos quadrinhos, é um livro para os fãs dos filmes, mas, principalmente, é um livro para os curiosos.
Inicialmente,
só de ler a capa do livro, eu tinha imaginado que ele contaria as histórias de
vida dos heróis antes deles se tornarem “super”, o tipo de história que vemos
em todo filme inicial de uma saga (como o Peter Parker foi picado pela aranha,
como o Super-Homem chegou na terra...) e me surpreendi ao ver que o livro, na
verdade, não falava sobre nada disso.
A
Identidade Secreta dos Super-heróis é um livro sobre as pessoas por trás das histórias
dos heróis, é um livro sobre como eventos históricos influenciaram as histórias
ou a criação de certo personagens e como mudanças ideológicas através das décadas
influenciaram mudanças nos personagens mais icônicos.
É incrível
ver a história por trás da criação de cada personagem e como os eventos da época
influenciaram a sua personalidade.
Veja, por exemplo, o Capitão América. Ele foi criado durante a Segunda Guerra Mundial, como uma figura patriótica com honra, bondade, integridade e respeito e, em sua
primeira aparição nos quadrinhos, ele dá um soco em Hitler. Capitão
América foi criado para ser um símbolo durante a guerra, um símbolo que criasse
uma ideologia de que os cidadãos americanos eram heroicos e honrados.
Para
vocês terem uma ideia, os filmes de James Bond foram lançados como uma campanha
contra a União Soviética. Reparem como Bond, um oficial inglês, era sempre
mostrado como um homem instruído, elegante, que enfrentava vilões de origens soviética e comunistas que eram atrapalhados e com figuras feias de se ver.
O
Capitão América não foi o único e não foi o último. Os quadrinhos se atualizaram e mudaram junto com as tendências e pensamentos da nossa sociedade. Vários conflitos acabaram por influenciar a
criação de novos heróis ou novas histórias para os antigos. A guerra fria, o
comunismo e o surgimento da União Soviética foram momentos decisivos para as histórias.
Mas
não só isso, é muito legal também ver o renascimento de mitos antigos, a
valorização de culturas que antes não eram tratadas de forma lúdica. De deuses nórdicos
(Thor, Loki, Odin) aos Egípcios, os escritores de quadrinho tornaram mitologias
antigas acessíveis.
O
livro é dividido em 5 partes, levando o leitor entre a criação, a ascensão, o declínio,
a reformulação e a nova ascensão (por conta dos filmes) dos quadrinhos.
O
livro não vai focar apenas na Marvel ou apenas na DC e sim fazer uma análise
por trás dos dois e não vai parar neles. O livro é cheio de curiosidades
interessantes e realmente prende o leitor entre as páginas.
Fica
muito claro, não só a pesquisa profunda, mas também, o cuidado que o autor teve
ao escrever esse livro. Eu senti como se estivesse lendo um TCC e tive a
vontade estranha de desejar ter tido a ideia de fazer algo assim.
A
Editora Valentina caprichou na capa do livro. Visualmente ela lembra o estilo
dos antigos quadrinhos e as cores vibrantes são especialmente bonitas
pessoalmente. Uma das coisas que eu mais achei legal é que a capa tem várias
pequenas bolinhas que dão uma textura interessante. O que eu não entendo é como
podem ter tido tanto cuidado com a capa e terem feito uma diagramação de página
tão ruim. A revisão e tradução do livros estão muito boas mas custava colocar
um espaço entre parágrafos? Ou por linhas menos grudadas?