Peça teatral De um Tudo – Direção Fernando Guerreiro
“Estão no elenco do espetáculo os atores Alexandre Moreira, Denise Correia, Diogo Lopes Filho e José Carlos Júnior. As surpresas são Ana Mametto e Gerônimo que, além de cantarem, participam do espetáculo como atores. O texto, livremente inspirado na coloquialidade no Dicionário de Baianês, de Nivaldo Lariú, é de Alan Miranda e Daniel Arcades. Arcades venceu o Prêmio Braskem de Teatro deste ano como melhor autor, por 'Rebola'.
Guerreiro diz que a peça resgata o universo das festas de largo da Bahia, a começar pelo cenário, que é uma barraca onde as pessoas se encontram para bater papo.
“Quando pensei nesta montagem, sempre pensei num musical que tivesse também uma ‘conversa de baianos’. Aí, veio a ideia do bar, que é muito mais uma barraca. É um resgate daquelas barracas das festas de largo, que foram eliminadas e viraram essas coisas de plástico horrorosas. As barracas antigas tinham umas pinturas naifs. As pessoas sentavam ali e jogavam conversa fora”, lembra o diretor.”
Assim como eu tenho escritoras que pego o livro sem nem ler a sinopse, Fernando Guerreiro é do tipo de diretor que vou assistir a peça sem nem saber do que se trata. Basta eu saber que é dele que me jogo e jogo a família junto, pois minhas filhas de 14 e 16 anos amam a peça “A Bofetada.”
Fui para De um Tudo sem nem ver o cartaz de propaganda, as meninas me perguntavam sobre o que era a peça e eu dizia que não sabia só que devia ser boa.
E não me enganei!
Não sou crítica teatral nem entendida no assunto mas posso afirmar que, como espectadora, esta peça foi a melhor peça de Fernando Guerreiro até agora. Ele sempre, com sua veia humorística, retrata toda a baianidade, todo o jeito e musicalidade da nossa terra, tudo recheado com muita ironia e deboche.
A peça é um musical que se passa no bar Canto da Nadu, uma verdadeira matrona que cuida de todos que frequentam seu bar quase como uma psicóloga, sempre atenta e cuidadosa. Fica claro a escolha do nome do bar, afinal os atores cantam todos os ritmos da Bahia mostrando a história de cada um deles e sua relação com Nadu. Destaque especial aqui para Quênia, mulher forte e decidida, retrato da religiosidade baiana com toda sua mistura e sincretismo.
Uma pausa aqui... Diga-se de passagem... e como cantam!!! Não só cantam perfeitamente como encantam com suas atuações e vozes. Alegria para mim mostrar às minhas filhas quem é o cantor e compositor baiano Gêronimo, pois (não me matem) mas aqui em casa não curtimos Carnaval então, no máximo, elas conheciam a música mais famosa dele é D’Oxum porque estudaram na escola.
Falando em religião, o que mais gostei desta vez foi o fato do texto usando um baianês típico “tirar sarro das religiões” mais fortes na Bahia, pois nas peças anteriores as religiões cristãs eram um alvo forte de perturbação e risadas.
A peça foi tão gostosa que quando acabou eu olhei para o relógio e tomei um susto com o tempo passado pois me vi tão envolvida que nem senti a hora passar tão rápido.
Interessante também ouvir da filha mais velha que entendeu todas as analogias, referências e intertextualidades da peça, que se sentiu em casa, o que muitas vezes não aconteceu nas últimas peças que assistimos pois usavam referências mais políticas ou antigas e ela tinha que me perguntar o que era e significava.
Não preciso dizer que super indico seja você baiano ou não, seja você turista, seja você apaixonado pela cultural local, seja você só alguém que quer rir e esquecer um pouco de nossa crise política e econômica profunda e atual.
A peça está em cartaz neste mês de agosto às sextas e sábados no Teatro Módulo.
5/5 estrelas para essa Ode de amor à Terrinha....
Beijos, Myl
