Eu não sei nem como começar a falar sobre essa série, minha gente, de tão ruim que foi assistir isso.
Shadowhunters acompanha a jovem Clary Fray, de 18 anos de idade, que descobre em seu aniversário que ela não é quem pensava ser, mas que vem de uma antiga linha de Caçadores de Sombras – seres híbridos de humanos e anjos que caçam demônios.Quando sua mãe Jocelyn é sequestrada, Clary se lançada no mundo de caça aos demônios junto do misterioso Caçador de Sombras Jace e seu melhor amigo, Simon. Agora vivendo entre fadas, feiticeiros, vampiros e lobisomens, Clary começa uma jornada de autodescoberta enquanto aprende mais sobre seu passado e percebe como poderá er seu futuro.
É o seguinte, para quem não sabe, essa série é baseada em uma série de livros (todos já lançados no Brasil) muito famosa chamada Instrumentos Mortais. Eu já li todos os seis livros da série principal (tem uma série derivada de três livros que se passa no mesmo mundo), então eu tenho autoridade, como fã da série de livros, para dizer as coisas que eu vou dizer nessa resenha.
Em um resumo rápido e sem spoilers dos livros, no mundo de Instrumentos Mortais a sociedade não tem conhecimento do que realmente a rodeia. Os contos de fadas ou, no caso, de terror (dependendo da perspectiva) são reais mas estão mascarados por uma magia inerente dessas criaturas. Vampiros, demônios, feiticeiros e lobisomens existem, mas você não pode vê-los ou, pelo menos, não pode ver sua aparência real. Nesse mesmo mundo existem os shadowhunters, uma sociedade de guerreiros com sangue de anjo que lutam contra as criaturas e protegem a raça humana da extinção.
No meio de tudo existe Clary, ela, até então, não tinha conhecimento de nada disso até ver um grupo de pessoas armadas com espadas matando uma pessoa aparentemente inocente no meio de uma balada. O problema? Ela é supostamente uma mundana e não deveria ter a habilidade de enxergar por trás da magia, mas ela enxerga e em função disso uma série de eventos são disparados e Clary entra em uma corrida contra o tempo em mundo que ela não tinha ideia que existia.
Legal né? Eu realmente recomendo a série de livros se você nunca leu.
Mas voltando a série de tv, eu preciso dizer: NÃOOO MINHA GENTE, PARA, SÉRIO, PARA QUE TÁ FEIO. Sério, eu nem sei por onde começar direito. A história do livro foi tão deturpada que tinha momentos que eu só conseguia pensar ‘’o que diabos é isso?’’. Parece que eles tiraram a ideia do mundo do livro e resolveram mudar o resto.
Para começar, os shadowhunters, nos livros, são membros de uma "organização" antiga que está em extinção (você nasce shadowhunter ou não e a guerra eterna contra as criaturas das sombras causou a diminuição drástica nos números de descendentes) e isso é tipo um dos plots principais da série, a motivação que impulsiona vários personagens e que dá início a história toda (olá, busca pelo cálice). Mas na série de TV tem tipo centenas de shadowhunters! Sério, eles realmente contrataram um monte de figurantes e todos vivem nessa fortaleza tecnológica que parece o quartel general dos X-MAN (de onde saiu isso? Nos livros eles vivem praticamente como se estivessem na idade média) e eles tem missões e times e só deus sabe mais o que.
Outra coisa, eles mudaram drasticamente as características físicas de vários personagens claramente para atrair mais público. Tipo, a Dot devia ter uns 60 anos e não 25, Hodge que deveria ser um velho mal-humorado é um modelo de cueca simpático e, aqui a coisa passa do limite, desde quando o Simon é sarado? Gente, ele é todo nerd encurvado com N maiúsculo. Eu não vou nem comentar que o "covil" de Valentine é em Chernobyl na maior pegada "vilão de filme tem que ser/estar no leste europeu".
E não foi só isso que mudou nos personagens, suas personalidades mudaram também. Nossa, uma das coisas que me fizeram amar a série de livros foi a personalidade egocêntrica e sarcástica do Jace, mas na série essa personalidade é reduzida a uma sombra tão sem graça que nem parece ser o mesmo personagem. Quem consegue esquecer a famosa frase do Jace quando ele encontra a Dot? Aquela é a personalidade do Jace, ele não é um herói, ele é um pé no saco arrogante que todo mundo finge que odeia.
Dorothea: Eu não li suas folhas de chá, menino? Por acaso você já se apaixonou pela pessoa errada?
Jace: Infelizmente, Dama dos Refugiados, meu único verdadeiro amor permanece sendo eu mesmo.
Dorothea: Pelo menos, você não precisa se preocupar com rejeição, Jace Wayland.
Jace: Não necessariamente. Eu mesmo às vezes me dispenso, só para manter as coisas interessantes.
Ou quando isso aconteceu:
- Gostaria que você parasse de tentar chamar minha atenção tão desesperadamente. — disse ele — Está ficando embaraçoso.
- O sarcasmo é o refugio dos fracos — disse ela a ele.
- Não consigo evitar. Uso minha sagacidade para esconder minha dor interna.
- Sua dor vai virar externa se não sair do meio da rua.
E isso:
Jace balançou sua cabeça loira em exasperação.
- Você tinha que fazer um amigo de prisão maluco, não tinha? Você não podia só contar os ladrilhos de teto ou domar um rato de estimação como os prisioneiros normais fazem?
Ou isso:
- Nós precisamos conversar - ela disse - Todos nós. Sobre o que vamos fazer agora.
- Eu estava indo assistir Project Runway - Jace disse.
Infelizmente, na série, até o momento, o Jace se tornou um personagem tão sem carisma e sem espirito (em função da péssima atuação e do roteiro ruim) que mesmo quando o roteiro arriscou utilizar uma de suas famosas frases do livro ela ficou sem graça e quase passou despercebida.
E nem me deixe começar a falar sobre as atuações e os (d) efeitos especiais (o que foi aquele sabre de luz estilo star wars?). Está pior que Malhação, minha gente! Como pode? Sério, como isso é possível? Eu tive vontade de rir da cara dos atores várias vezes.
Claro que tem algumas coisas que se salvam. Nosso carismático feiticeiro Magnus Bane foi muito bem escalado, o ator que faz o Luke também é muito bom e o que faz o Simon, apesar do texto horrível que deram para ele, consegue entregar a essência do Simon do livro (vamos deletar de nossas mentes a cena gratuita em que ele tira a camisa, do nada, ‘’casualmente’’ na frente da Clary).
Mas esses poucos acertos não apagam tantos erros. Eu assisti dois episódios da série (disponíveis na Netflix) e acho que vou tentar chegar até o quinto porque eu realmente gosto da série de livros, mas se continuar assim eu vou largar sem olhar para trás.
Só digo uma coisa, essa série me fez ver que o filme foi, na verdade, muito bom (sim, tem um filme também).
Ps: Meu irmão (que não leu os livros) assistiu comigo os dois episódios e ele gostou. Ele viu o filme e estranhou bastante as diferenças (nem acreditei na hora que ele reparou a total contradição do quartel general tecnológico ou quantidade de pessoas lá dentro), mas segundo ele ‘’até que dá para assistir’’. Para referências futuras, meu irmão chama essa série de ‘’aquela série brega’’.









