As coisas, Tobias Carvalho

Sensível e implacável por trás de uma escrita limpa e simples, As Coisas traz uma costura de vivências humanas sob a ótica de um jovem homossexual. O personagem constante dessas histórias trabalha, viaja, estuda, cruza ruas de metrópoles agitadas, passa horas em aplicativos de encontros sexuais. Não há maquiagens para a solidão, nem disfarce para o sexo. Ele sente, ele quer, ele ganha e perde, transformando-se de história em história e construindo um arco narrativo que alicerça todo o livro.
Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2018, As Coisas é um panorama de vazios. Com histórias que vão da fugacidade das relações gays às barreiras experimentadas pela sexualidade, o protagonista frequente destes contos vai em uma jornada em busca de coisas que ele mesmo não pode definir: é onde reside a força do promissor livro de estreia de Tobias Carvalho.
As coisas
Tobias Carvalho
Ano: 2018
Páginas: 144
Idioma: português
Editora: Editora Record


Ser homossexual não é fácil. Trazer essa realidade para uma história não é tão fácil quanto parece, mas, em As Coisas, nós vemos uma realidade que atinge muitas pessoas, escrita de forma crua e impactante. As histórias de um jovem que segue sua vida monótona em meio à promiscuidade e insensibilidade.

Os contos que fazem parte dessa história vão se costurando e, nesse percurso, somos atingidos pela força das palavras. E a inquietação é presente em muitos dos textos.

“As coisas” não é só mais um livro sobre um personagem gay tentando se encontrar em meio ao caos de sua vida. Sua densidade nos deixa num frisson e, por mais que suas histórias sejam curtas, nós conseguimos traçar todo um passado, e consequentemente, um futuro.

Alguns dos seus contos tocam bem fundo na alma, é o caso de “O pai”. A reação de um pai intolerante diante da felicidade do filho pode ser arrasadora, e o que acontece após a revelação é uma mistura de sentimentos difícil de suportar. A reação do filho em ver a amargura do pai é a mais dura possível, e por mais que isso machuque, é necessário.

O primeiro conto nos deixa chocados pela situação embaraçosa apresentada. Os gays são discriminados muitas vezes pela falta de pudor. Nesse conto, um jovem pretende trair seu namorado com o seu amigo mas, ao começar o ato, a culpa o atinge e nós percebemos que nem tudo pode ser levado pelo momento.

“As coisas” não é um livro para ser lido rápido. Há muita emoção para absorver e uma linha de vida que, muitas vezes, não conseguimos ver, e só quem sabe vai sentir na pele a realidade de um homossexual em um mundo de sexo e sentimentos sem cor.

Ler “As coisas” foi uma experiência bem intensa para mim. Por ter ganhado o Prêmio SESC de literatura 2018, eu já esperava algo surpreendente, e não me decepcionei. Com certeza é um livro que todos devem ler e, quem sabe, conhecer o lado obscuro dos gays. Está pronto para esse desafio?


12 comentários

  1. Nunca li nada relacionado com esta temática lgbt. Estava pensando em começar algum este ano, mas agora estou confusa se começo com "As Coisas" ou com "Um Milhão de Finais Felizes"...

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    1. Leia os dois! São visões diferentes, mas muito importantes!

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  2. Ando gostando muito que o gênero esteja crescendo desta maneira. O que antes era visto como tabu ou leitura para poucos, tem ganhado cada vez mais fãs e com isso, trazido muito mais emoções!
    Ainda não tinha lido ou visto nada a respeito deste livro,mas gostei demais de tudo que li, por isso, quero muito ter oportunidade de conferir!!!
    Beijo

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    1. Esse livro é lançamento, gostei muito de ter conhecido. Espero que possa ler!

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  3. Nesses férias eu li alguns livros desse gênero e gostei bastante, acho que vou adorar essse, e o Um Milhão de Finais Felizes também!!

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  4. Primeira vez que vejo esse livro.
    Gosto de contos, e fiquei interessada por falar sobre a homossexualidade de uma maneira mais real.
    Os poucos que li sobre seguem um caminho mais encantador.

    Beijos

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  5. Oi, Minho!
    Não conhecia este livro e fico feliz que um livro com esta temática tenha sido lido, bem aceito e ainda mais, tenha ganhado um prêmio de Literatura, isso é muito bom. Gosto muito do gênero contos, pois apesar da brevidade e facilidade para ler, traz em sua curta duração, elementos mais densos de uma história que se finda em nossas mãos. A única ressalva que eu faço (pela sua resenha, pois ainda não li o livro e por isso não posso falar com propriedade) é sobre reafirmar na Literatura os estereótipos sobre os gays. Um deles é sobre a "promiscuidade". Ou, como você disse "o lado obscuro dos gays". Todas as pessoas tem seu lado "encantador" e obscuro e há na comunidade gay pessoas "encantadoras" e "obscuras". Do jeito que foi trazido fica parecendo que a "promiscuidade" é uma característica somente de gays. Esta é uma característica humana, de todas as pessoas, de quaisquer sexos ou gêneros. A Literatura liberta e dá representatividade, mas ela tbm pode reafirmar e cristalizar estereótipos. Temos que ter muito cuidado com isso.
    Abraços,
    Ilmara

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    1. Obrigado pelo comentário, amiga. Terei mais cuidado em me expressar e espero que goste do desenvolvimento.

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  6. Minho!
    devo concordar com você em alguns aspectos: a vida de uma pessoa gay não deve ser fácil mesmo e um autor conseguir trazer contoos relacuinados a esse mundo, que vão se entranhando, deve ser uma boa e instrutiva leitura.
    cheirinhos
    Rudy

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