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Debate e noite de autógrafos do livro Eu e não outra
16 julho 2018
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Hilda Hilst
Lançamentos
Tordesilhas
Chegou o novo livro de Yann Martel
31 maio 2017
Do mesmo autor de As aventuras de Pi, chega As altas montanhas de Portugal
Yann Martel, best-seller internacional, traz nesta obra a mistura de conto de horror e fábula contemporânea em uma jornada de aventura que explora o amor e a perda de modo devastador. Repleto de ternura, humor e surpresas, leva o leitor em uma viagem por Portugal do século passado – e pela alma humana. Suas três histórias, separadas por décadas no tempo, são conectadas pela dor do luto de seus personagens, em uma metáfora que ilustra a trajetória de uma vida e sua constante busca por sentido.
Lançamento Pavana: A garota que não queria lembrar
08 abril 2017
O que você sacrificaria para superar a perda de um grande amor? Ou para enterrar de vez as suas tristezas? Ou para ter a beleza com que sempre sonhou? Cuidado, porque o preço pode ser alto demais...
Após a morte do namorado, Ari recorre a um feitiço para apagar Win da memória. Mas esquecer o rapaz não é tão simples, ainda mais depois que Ari percebe que entre seus amigos, seu namorado e até ela mesma há segredos demais. Se revelados, podem mudar a sua vida para sempre.
Narrado a partir de quatro pontos de vista diferentes, o livro entrelaça histórias emocionantes do passado e do presente em uma narrativa acelerada. É um drama misterioso e romântico, com os dois pés na realidade e o coração na magia. A cada página, a busca para revelar a verdade por trás de uma terrível tragédia fica mais perigosa para os personagens e mais interessante para o leitor.
Lançamento Tordesilhas - As Invernas
18 fevereiro 2017
As irmãs Saladina e Dolores são enviadas pelo avô (dom Reinaldo) para fora do país quando ele se vê perseguido pelas forças nacionalistas (do general Franco) no início da Guerra Civil Espanhola (1936). Espécie de sábio da aldeia, pode-se dizer que era comunista. Interessado em ciência, comprou o cérebro de todos os habitantes da aldeia para estudá-los depois da morte deles. Para isso fez um contrato e pagou todo mundo. Como era tido por bolchevique, estava no radar das autoridades. Com a escassez de alimentos provocada pelo conflito, dom Reinaldo resolveu organizar a partilha dos víveres (tirando principalmente do padre e dando aos outros) e o plantio da terra. O padre, que era um glutão, começou a ficar nervoso com aquilo.
Com o avanço da guerra, a aldeia era cada vez mais controlada pelas tropas nacionalistas. Dom Reinaldo se esconde.
Enquanto isso, as irmãs, achando que iam para Cuba, acabaram na Inglaterra. Lá fizeram a sua vida. Voltaram anos depois para a Espanha e foram morar na cidade de La Coruña. Mais tarde Dolores se casa com Tomás, um pescador de polvos e fanecas da cidade de Santa Eugenia de Ribeira.
Dolores era linda. Saladina era feia e desdentada. A relação entre as duas é aquela típica das irmãs: amor, inveja, raiva, mais amor. Saladina nunca teve um namorado. As duas adoravam o cinema e sonhavam em ser atrizes, embora fossem costureiras.
Mas Dolores se casou com um bronco. Um dia, cansada daquela vida, fez as malas e disse que ia visitar a irmã. O marido disse que se ela não voltasse em um mês iria buscá-la. Junto com Saladina, Dolores acaba matando o marido. As duas decidem então voltar à aldeia natal carregando o defunto e o enterram no estábulo da velha casa da família. Junto com elas veio também a vaca Greta.
A chegada das duas à cidade traz de volta lembranças que todos ali queriam esquecer.
A escritora tem um tom pessoal inconfundível: a obra apresenta a mescla entre a tradição oral galega – as histórias contadas ao pé do fogo – e a fluida construção dos diferentes círculos narrativos. Estes vão se misturando docemente e envolvendo o leitor até que ele se torne próximo das figuras criadas. É também da difícil simbiose do poético e do narrativo que resulta o tom final da obra, sempre o mais difícil de enquadrar em uma fria definição, e por sua vez o mais definidor de um escritor de raça – e Cristina Sánchez-Andrade o é.
Trata-se de uma história que engloba o cômico e o dramático, o estranho e o cotidiano, o terno e o perverso. Nesses paradoxos se descobre a indiscutível riqueza do romance que se singulariza na combinação prodigiosa e equilibrada de níveis tão variados. Nesse sentido, a escritora segue as pegadas desses narradores cuja obra nunca acabamos de decifrar, porque, ao revelar um sentido, abrem outros, e sobretudo abrem a vida, sempre vertiginosa e desproporcionada.
Lançamento Tordesilhas
15 agosto 2016
A par do enredo bem construído de Liturgia do fim, Marilia Arnaud mostra
um domínio excepcional da língua, revestindo a brutalidade da vida em Perdição
com uma prosa lírica e um vocabulário de extraordinária e rara beleza, que,
conforme diz a também escritora Maria Valéria Rezende, vencedora do prêmio Jabuti 2015 na categoria Livro do Ano de
Ficção, “escapa de maneira brilhante de uma das armadilhas que ameaçam boa
parte de nossa literatura, o achatamento e encurtamento de nossa extensa e
preciosa língua, em nome de uma suposta oralidade”.
Inácio,
escritor e professor universitário, um homem assombrado pela memória e pelos
fantasmas de um doloroso segredo familiar, abandona a mulher e a filha, as
salas de aula e a literatura para voltar a Perdição, lugar onde nasceu e viveu
até os 18 anos e de onde foi expulso trinta anos antes pelo pai, um homem rude
e autoritário que educou os filhos com rigor e frieza.
Restam na velha casa da fazenda apenas o pai e
Damiana, a criada de toda uma vida. A mãe, as irmãs Tereza e Ifigênia, tia
Florinda e seu filho Felinto estão mortos e habitam apenas as lembranças de
Inácio – ora doces, ora amargas. Incapaz de esquecer, Inácio desiste de fugir,
volta para finalmente enfrentar a violência do pai e decide colocar sua
história papel. Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e
passado se alternam e se misturam, Inácio vai narrando a infância e a
adolescência em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o
afeto pela mãe e a obsessão pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e
único amor, a paixão pelos livros.
Lançamento Tordesilhas - A definição do amor
26 junho 2016
A definição do amor
Jorge Reis-Sá
Gênero: literatura portuguesa
Páginas: 256
Edição: 1ª, 2016
Numa pequena cidade portuguesa, Susana sofre um AVC. Os médicos atestam sua morte cerebral ao mesmo tempo que anunciam sua gravidez de doze semanas – gravidez que o marido desconhecia e causa provável do acidente vascular. Francisco, o marido, começa então o diário do seu luto, que vai de maio a outubro, porque decidem não interromper a gestação. Enquanto Matilde cresce no ventre da mãe inerte, Francisco recorda os anos (poucos) de casado; a chegada do primeiro filho, André, apenas 10 meses antes; a infância. Recorda os pequenos e os grandes gestos que fizeram seu casamento e a sua existência. E tenta imaginar como será a vida depois da morte.
Entre cada um dos meses desse diário uma véspera se anuncia,cada uma delas composta por uma carta, cujo conjunto percorre mais de trinta anos da vida de pessoas ligadas intimamente ao casal e vai explicar muito do que agora se passa: o suplício de Beatriz, tia de Susana, que troca o filho que trazia no ventre pelo casamento na Igreja com um homem que ao final a matará; o tormento de Paulo, o marido assassino e apaixonado que viveu também um amor proibido com a tia Conceição; o irmão desta, Joaquim, padre e pedófilo que dá cabo da própria vida. “Que culpa temos nós do amor que sentimos?” pergunta-se Rita a certa altura, ela mesma apaixonada pela amiga Susana.
Numa linguagem suscinta, numa prosa por vezes indistinta da poesia tal a sua carga lírica, Jorge Reis-Sá faz uma viagem lúcida e resignada ao interior de um homem que, de certa maneira, despede-se de si mesmo. Não poderia ser mais apropriada, portanto, a epígrafe que encerra o livro:“Vou para casa esquecer que parti”.
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Jorge Reis-Sá
Lançamentos
Literatura Portuguesa
Tordesilhas
À Convite: Ilmara Fonseca, O Pomar das Almas Perdidas - @Tordesilhas
30 abril 2016
O Pomar das Almas Perdidas
Autora: Nadifa Mohamed
Ano: 2016
Páginas: 296
Editora: Tordesilhas
Sinopse:
Hargeisa, segunda maior cidade da Somália, 1987. A ditadura militar que está no poder faz demonstrações de força, mas o vento que sopra do deserto traz os rumores de uma revolução, e em breve, pelos olhos de três mulheres, vamos assistir ao mergulho do país em uma sangrenta guerra civil.Aos 9 anos, atraída pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos, a menina Deqo deixa o campo de refugiados onde nascera. Em circunstâncias dramáticas, conhece Kawsar, uma viúva que logo em seguida é presa e espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixara a capital para reprimir a rebelião que crescia no norte. Intimista, singelo e poético, O pomar das almas perdidas nos lembra de que a vida sempre continua, apesar do caos e do sofrimento.
Olá,
amigos leitores!
Tudo bem com vocês? Eu sou a Ilmara, do blog Conversa de Livro
e vim aqui hoje para falar um pouco deste maravilhoso livro que é O pomar das
Almas Perdidas, de Nadifa Mohamed. Quando li a sinopse dele, foi como prever um
desafio. Imaginem uma história de mulheres, escrita por mulheres e que tem como
cenário a Somália de 1987, em plena eclosão de uma guerra civil. Imaginaram?
Pois bem, eu encarei este desafio e confesso não ter me arrependido. É uma
história de cortar o coração, mas ao mesmo tempo um banho de esperança e fé, em
dias tão tenebrosos como tem sido os nossos. Mas, vamos à história?
O Pomar das Almas Perdidas nos
apresenta três mulheres bem diferentes: Kawar, Deqo e Filsan. Kawar é uma
mulher idosa e que perdeu o marido e a filha – que se suicidou após sofrer
abusos sexuais brutais. Solitária e amarga, ela tem pavor do regime de governo.
Deqo é uma garota de 9 anos, que foi abandonada pela mãe e tem que conviver com
toda a “má fama” deixada pela mesma. Ela vive em um campo para refugiados.
Filsan é uma mulher com cerca de 30 anos, soldado do exército da Somália e que
traça os mesmos caminhos do pai, que também era militar.
Lançamento Tordesilhas: Arco de virar réu
30 março 2016

Narrativa labiríntica escrita em primeira
pessoa, Arco de virar réu descreve os
eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista.
Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é
obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história
começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão,
nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas,
o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a
dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a
fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a
própria existência.
Arco de virar réu é o primeiro romance de Antonio Cestaro, que já tem publicados dois
livros de crônicas: Uma porta para um
quarto escuro e As artimanhas de
Napoleão e outras batalhas cotidianas. O narrador-protagonista é um homem de meia-idade, primogênito de pais
separados.
Ele inicia seu relato dissertando sobre a natureza
física e psicológica do tempo. Fragmentos de memória surgem e começam a se
reunir, de início caoticamente. Sua família vai se delineando: o pai ausente, a
mãe fragilizada, a irmã mais nova e o irmão esquizofrênico, cujo nome é Pedro. Juntam-se
a esse grupo o primo Juca Bala e a tia Rosana. No verão de 1973, durante as
férias na praia, Pedro ganha da tia um “jogo de estratégias bélicas” que passa
a desempenhar um papel importante na trama. A partir desse momento, digressões
delirantes, surrealistas, pontuam a narrativa.
Neste ponto ainda existe uma divisão clara entre o
narrador e seu irmão. Ambos ainda vivem em mundos opostos: sanidade−loucura.
Uma mudança na política de saúde mental do Ministério da Saúde obriga a família
a tirar Pedro do sanatório. Ele é levado para morar com a mãe no sítio da tia
Rosana. O narrador tem pesadelos. São viagens oníricas que o levam à floresta e
aos rituais dos canibais tupinambás, às vezes à Índia. Também continuam as
falas bélicas do irmão. Os conflitos armados de Pedro começam a se misturar com
os maus espíritos da mitologia indígena.
Pedro morre, mas sua tragédia mental não. O mundo
avança para o caos sensorial. Tudo em que o narrador acredita, incluindo sua
própria existência, começa a se desmanchar no ar. A veracidade de fatos e
pessoas é posta em xeque.
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