A filha do Sangue
Original: Daughter of the Blood
Autora: Anne Bishop
Trilogia: As Joias Negras - Vol. 1
432 páginas
Saída de Emergência
O Reino Distorcido se prepara para o
cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a
Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela
ainda é jovem, e por isso pode ser influenciada e corrompida. Quem a
controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos - inimigos
viscerais - sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder
que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim
começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as
armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e
inimaginável.
A filha do sangue pode ser definido numa única palavra: Explêndido. Se você precisa de mais adjetivos para se convencer posso incluir: perfeito, encantador, arrebatador e apaixonante. Um livro que se encaixa na literatura fantástica e ainda assim mantém os pés na realidade.
Anne Bishop nos presenteia com um mundo diferente e inovador do qual não queremos nos afastar. E ganha pontos por utilizar temas presentes em nossa realidade para temperar a trama sem quebrar a magia que ronda Jaenelle e nos aproxima do Reino distorcido.
Jaenelle é uma garotinha de sete anos e deixa de boca aberta Saetan, o Senhor Supremo do inferno; bem como Lucivar, o Príncipe Eyereno de belas asas negras; e vai causar grande impacto no Sádico Daemon. Através dela descobrimos que estes três possuem mais em comum do que imaginam.
Jaenelle é uma feiticeira, ou melhor, A Feiticeira. Estes três aguardam por ela há séculos, mas o fato de ser uma garota desarma todos. Ela é tão ingênua e sábia que deixa todos no Reino Distorcido desconcertados e todos em sua terra julgam-na com problemas.
Com personagens que me ganharam ao longo da trama de uma maneira arrebatadora, até agora continuo rememorando os eventos e desejando ardentemente a continuação.
Aos poucos o livro avança cinco anos, nada precipitado e tão bem preso que não perdemos o fio da meada.
O livro é dividido em três partes, na primeira acompanhamos Jaenelle fazendo amizade com Lucivar, Saetan e temos um vislumbre do atormentado Daemon e a revelação da profecia por Tersa.
Não permita que por ser fantasia passe a impressão errada. A autora aborda temas como pedofilia, incesto e mostra que o amor pode vir de pessoas e lugares inesperados.
Jaenelle não sabe metade do peso que carrega consigo, ela é forte, porém sofre por não ser bem aceita entre seus parentes vivos. Daí se apegar a sua família no Inferno.
Saetan me conquistou com seu jeitão durão, mas que amolece diante da garota a quem serve de mentor, ela o intriga e instiga; apesar de curioso sobre a origem dela, respeita seu desejo e não invade a privacidade dela. Prothvar e Andulvar estão nesta empreitada e topam ajudar a fedelha com os ensinamentos da Arte.
Daemon é temido por todos e em todas as cortes, porém ele é um escravo, cínico e com um único propósito de servir A Feiticeira, mas como ele irá reagir ao descobrir que ela não passa de uma garotinha?
Lucivar não troca de roupa para entrar numa confusão, também é um escravo, endurecido pelos anos de servidão, ele, assim como Daemon, aguarda A Feiticeira. Os dois nunca podem estar no mesmo reino. Leiam e entenderão.
As jóias são um ponto interessante: cada um tem duas, uma que recebe por direito de progenitura, outra que recebe após a oferenda às trevas. Isto é bem explicado ao longo da leitura, sem exageros ou complicações.
Adorei o fato dos personagens conversarem por telepatia e inclusive poderem ajudar uns aos outros assim.
Não é um livro para quem tem estômago fraco, algumas cenas descritas podem causar desconforto, apesar da insinuação de sexo, nada é descrito explicitamente.
Com uma linguagem descomplicada e folhas amarelas a leitura flui sem que perceba. O final nos deixa ansiosos pelo próximo que será "A Herdeira das sombras".
Poderia falar um pouco de cada personagem, mas não quero arriscar estragar a surpresa de vocês. Recomendo totalmente que leiam o mais rápido possível.
Capa americana e capa portuguesa:
Não preciso dizer que a capa nacional está infinitamente melhor, né?