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Vende-se um elefante triste, João Gabriel

 

“Vende-se um elefante triste" é o segundo livro de poesias de João Gabriel. A obra reúne poemas inéditos, escritos antes e durante a pandemia, numa edição com projeto gráfico elegante, ilustrada pela artista Bia Pessoa. Os versos falam da solidão, um lugar físico em que a falta se transforma em presença – “(...) e a falta sentida assim,/ caminhando ao meu lado,/ na beleza que o mundo empresta,/ é a presença que me resta” – e tangenciam outras questões profundas, caras ao nosso tempo e à nossa cultura. “O fim dos caminhos tristes é a maravilhosa descoberta de que do chão, não passa”, diz o poeta.

Vende-se um elefante triste
João Gabriel
Ano: 2020 
Páginas: 84
Idioma: português
Editora: Produções do Ó

"Pobre Diabo,⁣
parecia um fantasma.⁣
Fez menção de ir embora⁣
mas colocou⁣
o dedo em riste e me disse ⁣
- Eu não tenho culpa de nada! -⁣
Era de se notar⁣
o quanto estava triste."⁣
⁣
Vende-se um elefante triste é um conjunto de poemas escritos pelo João Gabriel, que me deixou apaixonado pela sua escrita. Com suas palavras sutis e que entram pelos nossos poros, somos levados por um caminho envolvente e original.⁣
⁣
Nesses poemas, nós vemos situações reais, mesmo tendo a essência do género, misturando metáforas e realidade. Tudo isso com notas excêntricas que me prendiam a cada página. ⁣
⁣
Além dos textos, temos ilustrações no início de cada poema, ilustrações da Boa Pessoa, e já adianto que combinou perfeitamente!⁣
⁣
Foi uma experiência prazerosa fazer a leitura desses poemas, e para quem gosta do género ou procura se aventurar, é uma ótima indicação!

Vende-se um elefante triste, João Gabriel

 


“Vende-se um elefante triste" é o segundo livro de poesias de João Gabriel.

A obra reúne poemas inéditos, escritos antes e durante a pandemia, numa edição com projeto gráfico elegante, ilustrada pela artista Bia Pessoa. Os versos falam da solidão, um lugar físico em que a falta se transforma em presença – “(...) e a falta sentida assim,/ caminhando ao meu lado,/ na beleza que o mundo empresta,/ é a presença que me resta” – e tangenciam outras questões profundas, caras ao nosso tempo e à nossa cultura. “O fim dos caminhos tristes é a maravilhosa descoberta de que do chão, não passa”, diz o poeta

Vende-se um elefante triste
Autor:João Gabriel
Editora: Produções do Ó 
84 páginas
Ano: 2021

Um poeta fala diretamente com a própria alma e quando escreve o que fala, ele acaba conseguindo falar com os corações e as mentes de milhares de pessoas, por isso João Gabriel, um poeta tão jovem veio além do falar com multidões, ele falou com corações, com situações e com momentos, com poemas que conseguem invadir de vários pontos e fazer o leitor se infiltrar em sentimentos que vão além do amor.

Os sentimentos são portas para novos horizontes e janelas para visualizar pessoas, pois cada sentimento segue um fio diferente. Em “Vende-se um elefante triste”, João consegue abrir portas e janelas de sentimentos, nos fazendo aprender com nós mesmos a cada leitura e virada de página, somado a isso, as ilustrações da artista plástica Bia Pessoa, dão voz ao que João quer dizer em cada novo poema.

“no décimo,

vivo eu mesmo e a voz da poesia,

é pra lá que volto toda noite,

é de lá que surjo todo dia.”

Quando comecei a ler o prefácio já pude sentir do que o livro é capaz, de como ele falaria comigo e me moldaria conforme a sua dança de palavras, foi uma experiencia apaixonante e significativa, me identifiquei com vários dos poemas e alguns até poderia destacar como meus preferidos, mas isso seria injustiça com os outros.

Em 83 páginas o autor conversa com o leitor por poemas delicados, alguns sobre si mesmos, outros sobre tempo e espaço, mas que conversam entre si e conversam com quem lê, pois cada poema é para fazer pensar e refletir sobre gestos e atitudes que tomamos ao longo do caminho.

“O amor só se torna real na saudade...”

Foi uma grata surpresa poder ler esse livro e por isso gostaria de agradecer pela oportunidade, pois através desse livro me reconectei com a leitura de poemas e posso dizer que me sinto ainda mais apaixonada pelo gênero.

Com isso, quero convidar a quem ainda não conhece a obra, para que passe a conhecer e se aventure através da doçura de João e se você já conhece, vem compartilhar comigo o que achou. Por enquanto um forte abraço digital e eu volto em breve com outras leituras.



(Quase) Borboleta, Helder Caldeira


Jared é fotógrafo e artista plástico, famoso por sua arte e por ser filho de duas grandes estrelas de cinema. Está em busca de sua obra - prima. Albert, um adolescente do subúrbio, é violonista do Reino das Testemunhas de Jeová e sonha com sua primeira história de amor. Os dois desejos se encontram, em um capricho do destino, na bela cidade de Vancouver, Costa Oeste do Canadá. Mas no caminho há uma série de adversidades: preconceitos, perseguições da imprensa e fake news, o poder do Estado, dogmas religiosos e fatalidades inarredáveis, e “se o amor é Deus em sua essência, quem há de ter a ousadia infame de dizer como Ele deve se manifestar?”.

(Quase) Borboleta
Helder Caldeira
Ano: 2020 
Páginas: 318
Idioma: português
Editora: Editora Quatro Cantos

Jared é um fotografo e artista plástico bastante famoso no Canadá. Também não é o único famoso na família, já que seus pais são atores bastante renomados no cinema. Quando parte em busca de inspiração para sua nova exposição, mas não esperava encontrar um novo amor.

Albert é um adolescente que procura viver sua ida da melhor forma possível. Vivendo com sua mãe, que lhe dá pouca importância, já que só procura viver e prol da sua religião. Seu refúgio se encontra nos momentos em que está ao lado de sua melhor amiga Fay, e seus momentos de solidão enquanto toca seu violino no parque.

Quando Jared coloca os olhos no jovem violinista, ele não esperava que a atração por ele fosse instantânea, e o que ele não sabe é que Albert também sentiria o mesmo. Porém, esse possível romance será marcado por polêmicas e exposições da mídia. Seria possível um amor sobreviver a isso?

Uma história marcada pelas polêmicas jurídicas e religiosas, visto que Albert é menor de idade e Testemunha de Jeová. Jared fará de tudo para garantir que sua imagem e a de Albert sejam levadas por boas notícias, mas só o destino e a força do amor que podem guiar essa luta.

Foi uma leitura cheia de grandes acontecimentos! Esse é o primeiro livro do autor que leio e foi uma história bem envolvente de se acompanhar. É uma história com muitas polêmicas envolvendo justiça e religião, e cabe aos personagens aceitarem essa realidade.

Além disso, a história possui alguns plot-twists que deixam a gente de queixo caído, e me vi chocado várias vezes! Porém, a única coisa que me incomodou foi o fato do romance acontecer bastante rápido e sem muita relutância, algo que me faz olhar torto para a história.

No mais, é uma boa história e que super-recomendo, pois a representatividade LGBT presente na história é forte e inspiradora, que pode servir de exemplo para muitas outras pessoas!


Segure minha mão, Guille Thomazi


Segure minha mão é uma história de violência e afeto, desespero e conforto, mas sobretudo de bravura e dignidade. Em uma região estrangeira (no início do século XX) devastada por guerras e invasões de exércitos inimigos, o protagonista Olek, gago e epilético, procura pela esposa desaparecida. Deixa a filha pequena, de corpo frágil e saúde instável, isolada, no meio da estepe, além do alcance de qualquer mal. Mas a chave para a salvação da criança se encontra com a mãe, que pode estar viva ou morta. Olek segue sua jornada como um herói clássico, resiliente, cujas virtudes nunca são dobradas pelas circunstâncias. Enfim, uma ode à decência em meio à deterioração humana.

Segure minha mão
Guille Thomazi
Ano: 2020 
Páginas: 248
Idioma: português
Editora: Patuá

A primeira coisa que me chamou atenção em Segure minha mão foi a capa. Fato curioso e engraçado, porque eu quase nunca dou importância às capas, mas esta pousou em mim com tamanha força e logo depois eu vim descobrir o que era. Contrastes e Paradoxos que se desenham nas páginas e frases curtas da narrativa de Thomazzi são os mesmos que se desenham no olhar de uma criança em plena guerra.  

Numa narrativa histórica, embora nem sempre fiel à realidade, conhecemos o nosso protagonista, Olek, o perfil de um herói épico às avessas (ele era gago e epilético) mas fiel às suas virtudes morais.  Vivendo ora na selvageria da natureza crua, ora no pavor da violência infligida pela guerra, ele tenta sobreviver a duras penas para proteger aqueles que ama. 

No começo da guerra polaco-soviética, próximo a Kiev, a esposa grávida de Olek, Ekaterina, dá à luz em um parto doloroso e difícil que termina culminando com a morte de uma das filhas que nasceu. Cada vez mais triste e cabisbaixa, após o parto, Ekaterina foge no meio da noite abandonando Olek e a sua filha, indo para o meio da guerra. Preocupado com a sobrevivência de sua filha, Olek vai atrás da esposa encarando também o cruel e violento cenário da guerra. 

Em sua jornada épica, Olek vai enfrentar inúmeros desafios e situações de violência e perigo. Suas fragilidades se metamorfoseiam com um quadro de horrores e de guerra que é descrito a todo tempo. Ora ridicularizado, ora atacado, a narrativa foca nas qualidades ímpares que fazem de Olek um ponto de apoio e fonte de esperança para todos que o cercam. 

A narrativa de Thomazi não é fácil, com frases curtas e muitas descrições de batalhas e do cenário de guerra, há momentos em que a violência escorre pelas palavras, há momentos que que ficamos cansados como se lá estivéssemos, há momentos que é preciso parar e respirar. Ainda assim, é um livro denso e carregado de emoções e de humanidade. A violência e a brutalidade estão ali presentes para ressaltar o que de mais humano se tem. Em dias de guerra. Ou em todos os dias. 
                                     



Espiral - Contos e Vertigens, Luciana Chardelli



A escrita vem em tom confessional, na forma de diários ou cartas, e cada conto parece formar um mosaico de uma narrativa maior, que é a vertigem da própria vida, com seus laços, seus nós e seus desencontros. É assim que alguns elementos-chaves vão se fechando, em espiral, ao longo dessas histórias que se desvelam da forma mais intimista – como se fossem narradas para alguém muito próximo, que é como nos sentimos ao entrar num universo de ficção que quase parece real.

Espiral: Contos e Vertigens
Luciana Chardelli
128 páginas
Editora 7 Letras 
(12 agosto 2020) 
Idioma: Português


Em formato de contos, o livro Espiral é um compilado de confissões que transmite mensagens inteiras de formas indiretas, mas que apresenta a capacidade de pensar, de enxergar em meio a momentos em que autor e leitor se encontram em uma “espiral de emoções” que pode afetar qualquer individuo de qualquer forma ou idade. Um confessionário de situações cotidianas em forma de pequenos dizeres ou grandes cartas, mas que guardam em si a confissão de um rumo maior, de uma história grande que pode ser contada em partes, a vida de alguém que se perdeu na tentativa de se encontrar. 

“Peço ao Padre Eterno que olhando o meu inferno venha me abençoar.”

O livro possui oito contos, alguns maiores que outros, mas ao decorrer da leitura percebemos que se trata de um mesmo narrador, contando sua história através de enlaces com outros indivíduos que passaram por sua vida, são momentos sobre passado e presente que nos faz refletir, desperta o interesse e abre o questionamento sobre a vivência daquele personagem. Tudo se traduz de forma escura, mas carregando um entendimento que pode marcar o leitor de diversas formas, seja positiva ou negativa. 

“Perdoo todos os seus silêncios, embora não possa perdoar teus segredos.”

Confesso que enquanto lia no começo de cada conto me sentia confusa, até que o entendimento começava a surgir e acabei entendendo momentos depressivos de personagens, bem como momentos de puro terror, momentos esses que ao ler me causaram uma profunda reflexão, pois sempre penso em quantas pessoas passam pela situação da solidão e do medo de falar sobre determinados assuntos. 

O livro em si abre portas para que possamos entender como funciona a mente de alguém que viveu momentos de abandono, momentos solitários em que precisou lidar sozinho com situações como o fim de um relacionamento ou o abuso sofrido em meio ao ambiente familiar. De todos os contos lidos, o que mais me tocou foi “O menino onda” que em meu entendimento retrata um abuso sofrido pelo garoto, é uma história que não deixa nada explicito, mas que em meio a leitura o entendimento bate à porta, pode não ser o que a autora quis retratar, porém enquanto lia só consegui sentir a angústia desse menino e com isso preciso deixar aqui registrado o aviso de gatilho. 

“Lembrar é parir vazios.”

É um livro impactante conforme o entendimento chega à mente de quem lê, mas também é um livro para refletir os seus vazios e buscar melhoras para as suas sanidades. Recomendo a leitura, mas peço que esteja preparado para entrar nesse Espiral. 

Se você já conhece o livro vem cá conversar comigo e se não conhece, mas curte contos, vai lá conhecer e depois vem contar o que achou. Um super beijo, fiquem com Deus e até mais.



O renascimento em outras terras, Silvia Gerschman

O livro trata da historia de uma família. Esta história percorre o século XX, o XXI e vai até os dias de hoje. Inicia com dois irmãos feito prisioneiros do exército alemão, na Primeira Guerra Mundial ocorrida em 1914. A decisão de ambos foi fugir do campo de exploração de carvão onde eram prisioneiros e trabalhavam sob condições de escravidão. Para garantir a liberação ninguém podia saber dos seus planos e, consequentemente, não podiam receber nenhum tipo de ajuda. Se assim não fosse poderiam correr o rico de serem delatados. O plano, era percorrer uma distância de mais de dois mil Km. até chegarem à região da Rússia onde moravam as suas famílias. Assim passaram, neste longo caminho, por situações e riscos que nunca tivessem imaginado de serem capazes de enfrentar e apenas alimentados por sonhos e esperanças; conhecendo pessoas que eram solidárias e capazes de se comover com o sofrimento desses pobres caminhantes. Após essa fase da existência de ambos irmãos, a vida vai se transformar junto com o encontrou e a aventura que as andanças lhes propiciaram. Cada um e todos os capítulos posteriores tratam dos integrantes da família e das suas vidas, acompanhando o século e as conjunturas familiares, sociais e políticas no transcorrer do mesmo, do posterior e da atualidade. Os avatares que se seguiram nas vidas dessas pessoas, foram extremamente diversos e os percursos após o tempo passado, foram se tornando presente e futuro ao tempo que um destino misterioso, imprevisível e distante, desencaixou a ideia da unidade perene da família. Uma vez fragmentada a suposta progressão de um continuum familiar a traves dos tempos, foi sendo substituída sutilmente por uma vida mais plena a partir de se mesmo e da existência do outro enquanto alteridade.

Histórias com a guerra como pano de fundo sempre conseguem tocar a gente de uma forma única. Em “O renascimento em outras terras”, iremos conhecer a luta de dois irmãos Isaac e David, jovens russos que foram feitos prisioneiros do exército alemão e colocados para trabalhar em condições precárias em uma mina de carvão.

Fugir não é uma opção, é uma necessidade, mas essa escolha é tão perigosa quanto definhar nas mãos dos alemães, que fazem questão de espalhar o terror sempre que podem.

Mas se acham que a história se passa apenas nesse plano, estão enganados! Não posso me alongar, pois a partir daqui qualquer novidade será spoiler, e o mais interessante dessa história é ver como David e Isaac tentarão se restabelecer em um mundo novo.

A morte visita Lisboa, Fernando Perdigão


Um assassinato abala Lisboa. A vítima é uma imigrante brasileira e o detetive Andrade, de Copacabana, é chamado a colaborar na investigação. O policial de corpanzil desconjuntado, temperamento irascível e retórica politicamente incorreta passa a protagonizar uma preguiçosa, porém implacável, caçada aos criminosos. Destilando ironias, destratando colegas e pressionando testemunhas, Andrade devassa a comunidade de brasileiros expatriados, expondo segredos e vícios inconfessáveis. No caminho, acumula desafetos que, a contragosto, terão de se render ao seu “método” de tratar testemunhas como suspeitos e suspeitos como culpados. Um livro que mergulha em humor corrosivo o romance policial clássico, e toma partido disso para expor o preconceito e a intolerância na sociedade atual.

A Morte Visita Lisboa
Fernando Perdigão
Ano: 2019 
Páginas: 296
Idioma: português
Editora: Ímã

Quando uma brasileira é assassinada em solo português, mais precisamente em Lisboa, o detetive Andrade é convocado para solucionar o caso, caso este que causou uma tremenda confusão.

Mas não pense que essa será uma investigação eletrizante. Dado ao comportamento desleixado de Andrade, a busca por respostas se encontrará numa loucura irônica e bastante peculiar. Afinal, o que Andrade tem na cabeça?

A Umidade Relativa Das Palavras, Adriano De Andrade


A umidade relativa das palavras é como uma surpresa na porta de casa. Você abre e pode ser surpreendido, ora por uma pancada surda e vigorosa, ora por uma ponte que encurta os caminhos, ligações que restabelecem o vazio e quebram o silêncio. A cada um de seus dezesseis contos, aquela história, que não é minha, mas poderia ser, ou já foi, ou será um dia. Autor de O inverno que não acabou e outros contos (2015), Adriano de Andrade neste seu novo livro percorre um emaranhado de vozes conhecidas e desconhecidas, ora com palavras áridas, ora com palavras úmidas, entrelaçando temas como rivalidade entre irmãs, a linha tênue familiar que agride e sufoca, os medos, as vertigens, a repulsa, a morte, o amor, os vícios. Adriano de Andrade parece ter uma escrita inofensiva, mas é vigorosa e sedutora: uma miríade de gestos que passamos a descobrir e apreciar, como enlaçados por uma paixão suspensa no ar. Seus contos têm a capacidade de esparramar letras a perder de vista, envolver e entorpecer o leitor, transformar a escrita para que a leitura seja pura melodia. E, em meio a angústias e reflexões, a figura da mulher surge como referência de protagonismo neste conjunto de belas narrativas curtas.


A Umidade Relativa Das Palavras
Adriano De Andrade
Ano: 2019
 Páginas: 94
Idioma: português
Editora: Jaguatirica

Se existe um leitor que adora livros de contos, esse leitor sou eu! Dentre as tantas variações de gêneros de contos, eu procuro aqueles que se aproximem mais da nossa realidade, as vivências das histórias que podem acontecer com quaisquer pessoas no dia-a-dia, e é isso que acontece em A umidade relativa das palavras.

Dividido em dezesseis contos, esse livro demonstra enormes surpresas. São contos diretos, fortes, e vários deles irão deixar uma marca mesmo quando terminamos de ler todos os contos.

Uma dessas surpresas aparece justo no primeiro conto, A ordem natural, que fala sobre o relacionamento de duas irmãs gêmeas. É um conto bem forte e é um dos que ficaram na minha cabeça por muito tempo.

Dança Sueca, Vera Saad

Filipa Maria é uma professora de piano. Angel é uma manauara recém-chegada a São Paulo. Na noite em que Filipa Maria e Angel se conhecem, um segredo é revelado e mudará não apenas o destino das duas, como também de muitos à sua volta. Cabe ao narrador da história, Birá, descobrir que segredo é esse.
A busca pela verdade o conduzirá a uma estranha ligação entre Angel e a obra mais famosa do compositor alemão Max Bruch, as Danças Suecas.
Dança Sueca
Vera Saad
Ano: 2019 
Páginas: 230
Idioma: português 
Editora: Patuá


A história nos apresenta Filipa Maria, uma professora de piano já aposentada que passa a “perseguir” Angel, uma recém-chegada a São Paulo. Angel é o crush de Birá, sobrinho de Filipa e o narrador da história.

Quando Filipa e Angel resolvem beber em um bar, a conversa vai se estendendo até a revelação de um segredo, e essa situação irá mudar o destino de todos ao redor. Uma estranha ligação entre a obra As Danças Suecas, do alemão Max Bruch surge, e podemos esperar várias surpresas.

A narrativa misteriosa alternando entre passado e presente vai nos revelando, aos poucos, as surpresas desse livro. Filipa é uma personagem cativante, e gostei bastante de sua personalidade, já Angel... pare de fumar esses cigarros!

A Besta de Pasadena, Ilmar Penna Marinho Junior


“A Besta de Pasadena” fecha a Trilogia do Apocalipse e explica como o quadro da cena aterrorizante de A Besta Aprisionada por Mil Anos, da célebre Tapeçaria do Apocalipse, está entrelaçado com a instabilidade política de um país cheio de crises. Intrigas, reviravoltas, sexo, curiosidades, competição – esse é o ambiente propício para que a serpente infernal mescle os caminhos econômicos de um país. O autor Ilmar Penna Marinho Júnior entrelaça, neste último livro de sua trilogia, os escândalos políticos do Mensalão e da Lava Jato, com a devassidão em uma grande empresa de petróleo. Os personagens apresentados em “A besta dos mil anos” e “A besta de Lucca” voltam à cena com uma narrativa profunda, sagaz e extremamente crítica à corrupção no Brasil e ao caráter humano, em uma luta em prol da verdade e da justiça, da investigação qualitativa e a checagem de fatos.
Título: A BESTA DE PASADENA
Idioma: Português
páginas: 368
TRILOGIA DO APOCALIPSE
Ano de edição: 2019


Para alguns, uma maldição vale mais que uma bênção. Mas será que ela vale para sempre? Em A Besta de Pasadena, o desfecho da Trilogia do Apocalipse, vamos ver o castelo de cartas de muita gente cair, graças ao início da Operação Lava Jato.

Embora esse livro não tenha o foco na Besta Aprisionada por Mil Anos, uma parte da tapeçaria francesa que estava escondida no Brasil, nós percebemos como a proteção satânica que essa imagem trazia levou tragédia a muita gente. Os escândalos da Operação Lava Jato estavam nascendo e todos os corruptos responsáveis seriam punidos.

Revemos os personagens Júlia e Eduardo, a jornalista e o advogado, que agora estão casados e defendendo o mesmo lado. Vamos acompanhar a participação importante para as revelações da podridão dos políticos corruptos. Toda essa exposição será posta ao público graças ao hacker, agora trabalhando para a Leia, Flávio Albuquerque, o The Flash.

Alleluia – passos e percalços de uma baiana lutadora


Por meio de um relato contundente e bem humorado, a química e pesquisadora baiana Irene de Alleluia Meyer conta como a dedicação aos estudos e a ambição de conquistar autonomia profissional e independência financeira a ajudaram a superar as dificuldades de uma infância pobre, a crueza da vida em família e outros muitos obstáculos ao longo da vida.

Título: ALLELUIA: PASSOS E PERCALÇOS DE UMA BAIANA LUTADORA
Idioma: Português
Páginas: 196
Ano de edição: 2019




Irene Baptista de Alleluia, um exemplo de superação, vinda de uma realidade onde a esperança era algo que não levaria ninguém a lugar nenhum. Negra, pobre e mulher, conseguiu driblar os problemas e atingir o ápice do sucesso.

Viveu uma infância terrível, regada a surras e maus-tratos, sofrendo junto à sua irmã. Não conheceu o amor e desde pequena aprendeu a dureza da vida da pior forma. Todo dia era um castigo diferente, e os sonhos de viver uma infância eram despedaçados a cada maltrato.

Prometendo uma vida melhor a si mesma, lutou muito para garantir uma educação digna, encontrando nas ruas de Salvador um traço para seu futuro.

Barcelona não é Espanha, Márcio Menezes

"Barcelona não é Espanha" é fruto de oito anos de exílio voluntário do escritor na capital catalã. O romance narra a aventura de um ex-estudante de teatro que chega, com a namorada, em Barcelona na primavera de 2002. A partir de subempregos (desde iluminador de espetáculos pornô a ator de filmes universitários, entre outros), para garantir a cidadania espanhola, o imigrante ilegal é envolvido em incidentes em toda a capital catalã. À medida que vai entendendo a cidade, contudo, ele percebe que o desafio da moderna Barcelona é acolher todos os imigrantes, visto que, em geral, seu povo desaprova o salto à modernidade.
Barcelona não é Espanha
Márcio Menezes
Ano: 2018 
Páginas: 226
Idioma: português 
Editora: Rubra

Viver na Europa é o sonho de muitas pessoas, porém é difícil imaginar a realidade de um lugar diferente do qual vivemos. Barcelona pode parecer linda de fora, mas o que mancha sua imagem é a xenofobia e a grande diferença social bastante presente. E, por mais que Barcelona esteja inclusa na Espanha, Barcelona não é Espanha.

Aqui conheceremos um imigrante que veio acompanhar sua namorada Antônia enquanto ela fazia intercâmbio na cidade. Vivendo ilegalmente no país e necessitando de dinheiro, o brasileiro (não me lembro do autor ter lhe dado um nome, então tratarei dessa maneira) se vira do jeito que pode: doando sêmen, trabalhando em bares pornôs e até mesmo roubando quadros.

Seu relacionamento com as mulheres é um pouco perturbado. Antônia vai embora e lhe deixa com as mãos nas costas (não gostei dela desde o primeiro momento); Núria, uma paquera local, acabou de sair de um relacionamento conturbado, que só fez piorar após o suicídio do coitado do seu ex-namorado. Esse infortúnio despertou a fúria de um policial que promete a morte do brasileiro.

A natureza das coisas, Marília Passos

A natureza das coisas é um título que revela ao esconder. Com uma trama direta, discorre a condição emocional e psicológica sem alarde. No entanto, a profundidade dos sentimentos, a intensidade das descobertas e o peso das escolhas são temas que percorrem cada linha. As atitudes de seus personagens refletem um mundo em que as aparências se igualam a sonhos. Quando acordamos, vemos quem somos e podemos seguir adiante ou optar por viver numa ilusão falha. Ao mesmo tempo em que o leitor sente empatia, encontra uma reflexão leve na superfície e tremenda no interior sobre como nos relacionamos, incluindo com nós mesmos.
A Natureza das Coisas
Marília Passos
Ano: 2017 
Páginas: 136
Idioma: português 
Editora: Editora Labrador

Luísa é uma sonhadora. Vinda de uma cidadezinha do interior, seu sonho é ser uma atriz famosa e viver dos luxos da cidade grande. Acaba se mudando para o Rio de Janeiro para tentar a sorte grande, viver uma vida sem limites e experimentar as delícias do destino.

Além de Luísa, conheceremos seu amor da cidade maravilhosa, Cássio. Ele é fotógrafo de uma revista famosa e viaja o mundo inteiro fotografando mulheres para as capas de revista. Vindo de uma realidade totalmente diferente de Luísa, eles compartilham o mesmo sonho: encontrar-se meio ao caos de suas vidas.

A relação dos dois é bem intensa e muito envolvente, e tudo teria um fim maravilhoso se a natureza das coisas fosse tão arrebatadora, e desse casal podemos esperar todos os finais possíveis.

A Besta de Lucca, Ilmar Penna Marinho Júnior

Segundo livro da Trilogia do Apocalipse, do autor Ilmar Penna Marinho Júnior, "A besta de Lucca" é a continuação de "A besta de mil anos" e traz de volta uma das sete peças que faltam para completar a Tapeçaria do Apocalipse, a de número 75. Quem será capaz de possuir a relíquia? Ou seria ela quem escolhe seu detentor? O livro “A Besta de Lucca” revela como a famosa cena da Tapeçaria chegou até a cidade de Lucca – coração da Toscana, Itália – e nos mostra que faz parte da celebração de rituais de uma poderosa seita.
A besta de Lucca
Trilogia do Apocalipse 2
Ilmar Penna Marinho Júnior
Editora Jaguatirica (2018)
N° de páginas: 352

No segundo volume da Trilogia do Apocalipse, ninguém está a salvo. A besta dos mil anos amaldiçoou todos que passaram por sua frente, trazendo terríveis consequências. Algumas vão demorar a aparecer, aumentando ainda mais a aflição.

Depois da imagem da Besta desaparecer do Castelo de Angers após todo o sufoco para resgatá-la, um novo mistério invade a história. Quem roubaria a tapeçaria e qual seria seu propósito com ela? Nesse volume conheceremos a Ordem dos Cavaleiros do Apocalipse, uma seita rica e poderosa adoradora de Satanás. 

Depois de desaparecer, a Besta foi transportada para a cidade toscana de Lucca, onde os mestres da Ordem planejam criar uma sede para adoração da peça apocalíptica. A presença da Besta na Ordem vai não só trazer sucesso, como consequências terríveis. Repito: Ninguém está a salvo!

A Lucidez da Lenda, Raul de Taunay

Na pequena São Bento da Ribanceira, cidade amazonense fictícia criada para ser um dos palcos de A lucidez da lenda: um ensaio sobre o futuro, romance épico passado na segunda metade do Século XXI, o ditado que diz que 'Deus é brasileiro' parece se confirmar. É ali que Ele, sob diferentes formas e em diferentes momentos, vai se comunicar com Antônia dos Anjos, uma jovem ribeirinha cuja missão será impedir a destruição da Amazônia por parte da Federação das Corporações Unidas, a mega associação de multinacionais, que com seu poderio econômico, midiático e bélico domina a Ordem Mundial. Nesse romance ambientado no futuro, muitos são os acertos do autor: i) personagens bem construídos - de Antônia dos Anjos a Jack Gorila Stealler, os principais, passando por Laráppio, Smartt, Jovelino, além dos índios Jurujunas, Ammos e Tapunuê, da revoltada Bonnie e do repórter André; ii) boas descrições de ambientes, ao estilo naturalista, sejam eles a aldeia dos Jurujunas, a mata virgem do alto Amazonas, os descampados de Brasília ou os arranha-céus de Nova Iorque e Chicago; ii1) criatividade na invenção das máquinas do futuro, sejam elas os terríveis robôs deletadores, sejam os meios de transportes, como os helijatos e foguetes propulsores individuais, o que, de maneira geral, confere um tom sei-ti à atmosfera épica; iv) trama bem estruturada e bom ritmo narrativo. Outro ponto positivo que merece ser destacado é a aguda percepção de como a conjuntura em que vivemos nessa segunda década do Século XXI caminha a passos largos para se parecer bem de perto com a que é descrita nessa ficção, o que embora não seja um prognóstico a se comemorar, certamente ajuda a chamar atenção para a já massiva onipotência dos mercados e corporações sobre o destino de bilhões de pessoas em todo o planeta.
A Lucidez da Lenda
Um ensaio sobre o futuro
Raul de Taunay
Ano: 2018
Páginas: 408
Idioma: português 
Editora: Pandorga

O que você faria se o Amazonas sofresse uma tentativa de captura? Se grandes corporações o tomassem para si, para fazer dele um país independente e extrair as suas riquezas? Para impedir que essa tragédia aconteça, o Grande Espírito usará tudo que for capaz de prevenir o pior.

No meio da Floresta Amazônica, uma jovem é escolhida por Deus para ser a portadora das forças que combaterão o ataque da Federação. Antônia dos Anjos, uma garota simples, mas com uma grande fé, tem a missão de ir à Brasília para alertar às autoridades militares sobre a possível divisão do Brasil.

Do outro lado, Jack Stealler, o Gorila, está com uma sede de poder que só será saciada com toda a bacia amazônica em suas mãos. Para conquistar esse feito, ele usará todo o recurso possível, incluindo matar aqueles que estiverem em seu caminho. Vice-presidente de uma das maiores empresas do mundo, a Federação, Gorila irá desenvolver um plano para tomar a Amazônia e, com isso, ter posse da maior floresta de mata virgem do planeta.

Lançamento Novo Século


O Castelo de Angers, na cidade de mesmo nome, na França, abriga um monumental conjunto de tapeçarias medievais com as cenas do apocalipse bíblico. Sete painéis se perderam através dos tempos – um deles com a figura da ‘Besta aprisionada por mil anos’. Reza a lenda que, enquanto esta cena estiver desaparecida, o caos e a desarmonia reinarão sobre a Terra. Partindo desses fatos reais, o escritor, jornalista e advogado Ilmar Penna Marinho Jr. criou a série de livros Trilogia do Apocalipse.

O leitor encontrará um clima eletrizante de suspense e ação na recuperação da famosa cena, desaparecida desde o século XIII. A trama diabólica, primorosamente estruturada, cheia de reviravoltas e muitas surpresas, envolve religiosidade, ódio e amor, e traz de volta a figura bíblica da Besta dos mil Anos.

Os personagens convivem com a maldição templária, o dinheiro fácil, a violência nas ruas, a escalada do sexo, a proliferação das drogas e a ganância corruptora. Conclamando seus adoradores a praticarem todas as maldades no mundo porque o fim dos tempos está chegando...

Lançamento do romance distópico "A lucidez da lenda", de Raul de Taunay


Será lançado 26 de abril (Brasília) e 3 de maio (Rio de Janeiro) o romance de ficção científica/distopia "A lucidez da lenda" (Pandorga), do escritor e diplomata Raul de Taunay.

Numa cidade fictícia no Amazonas, segunda metade do século XXI, a jovem ribeirinha Antônia dos Anjos tem o poder de comunicar-se com Deus. Ele a instrui a impedir que a Amazônia seja dominada pela Federação das Corporações Unidas – associação multinacional que pretende desacreditar o governo brasileiro perante a comunidade internacional. A meta é que a opinião pública apoie uma invasão dos exércitos da FCU e a criação de um estado ‘soberano’, ‘livre’ e ‘democrático’, gerido pela entidade no coração da "Amazônia Legal". 

Qualquer semelhança entre o livro e o que acontece em áreas de conflito no planeta atualmente NÃO é mera coincidência.

Personagens apaixonantes, belas descrições da mata virgem do Alto Amazonas e a criatividade do autor ao nos apresentar máquinas do futiro – robôs deletadores, helijatos e foguetes propulsores individuais – transformam "A lucidez da lenda" em um romance cativante e quase profético.